MT: Projeto Microcrédito recebe adesão de novos municípios e renova parcerias

EXPANSÃO

Por FABYOLA COUTINHO

Qualquer apoio financeiro é bem vindo para quem está começando ou pretende ampliar seu próprio negócio. E se o auxílio vier sem incidência de juros e com a possibilidade de parcelamento em até 12 meses, a proposta se torna quase irresistível. Todos estes benefícios são ofertados pelo Projeto Microcrédito Juro Zero, uma ação desenvolvida pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social (Setas-MT).

O projeto, que já funcionava em 91 municípios de Mato Grosso, recebeu nesta quarta-feira (14.09) a adesão das cidades de Barão de Melgaço (113 km ao sul do Estado) e Novo Mundo (785 km de distância de Cuiabá). O termo de parceria foi assinado pela primeira-dama e secretária da Setas, Roseli Barbosa e os prefeitos dos respectivos municípios.

“Fomentar a geração de renda pelo estímulo ao microempreendedorismo individual é o objetivo do Microcrédito. O projeto financia equipamentos ou mercadoria de até R$ 1.500, um valor relativamente pequeno, mas que representa um grande auxílio para os pequenos empreendedores. Já vimos várias histórias de pessoas que recorreram ao projeto e hoje empregam várias pessoas, dada a proporção de crescimento de seu empreendimento”, disse a secretária Roseli Barbosa.

Para o prefeito de Barão de Melgaço, Marcelo Ribeiro Alves, o projeto Microcrédito será de grande valia para os moradores do município. “Estamos satisfeitos em poder participar deste programa, que deverá se transformar em uma importante ferramenta de apoio para os pequenos empreendedores e, com certeza, de fundamental importância para melhoria da qualidade de vida das famílias de Barão de Melgaço”, ressaltou o gestor.

O prefeito de Novo Mundo, José Hélio Ribeiro, parabenizou o Governo do Estado pelo alcance do projeto. “A amplitude desta iniciativa e das demais ações realizadas nos municípios de Mato Grosso fortalecem os pequenos comerciantes, pequenos produtores e população de forma geral”, salientou José Hélio.

Durante o encontro houve também a assinatura da reativação do Microcrédito no município de Poconé. O prefeito da cidade, Arlindo Márcio Moraes, disse que o retorno do Microcrédito na cidade é uma reivindicação da população. “Recebemos muitos pedidos de moradores para reativação do projeto. Tenho certeza que o projeto beneficiará muito a cidade, principalmente pelas oportunidades geradas pela Copa de 2014”, afirmou Arlindo.

MICROCRÉDITO EM NÚMEROS

Desde que foi criado, em 2004, o Microcrédito já atendeu 5.324 empreendedores individuais, gerou 7.986 novos empregos, além de qualificar 9.071 pessoas no curso de capacitação gerencial e formar 323 agentes de crédito.

Os recursos do programa fazem parte do Fundo Estadual de Amparo ao Trabalhador (Feat) e já atingiram a montante de R$ 5.901.090,61 em valores financiados pelo programa.

A gestão do fundo faz parte das atribuições do Conselho Estadual do Trabalho (Cetb-MT), em conjunto com os conselhos municipais do trabalho. Por isso, a cidade que tem interesse em participar do projeto precisa criar e homologar o conselho municipal na esfera estadual.

A análise e aprovação das propostas acontecem nas reuniões do comitê de crédito, formado pela Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social (Setas-MT), Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Amparo e Extensão Rural (Empaer-MT), prefeituras municipais e MT Fomento.

“As pessoas interessadas no auxílio do Projeto Microcrédito devem procurar os agentes municipais da sua cidade para o preenchimento da proposta de financiamento. Podem participar do programa os maiores de 18 anos, sem restrição nos órgãos de proteção ao crédito, com renda familiar de até três salários mínimos e que apresentem afinidade profissional com o bem financiado”, explicou o secretário adjunto de Trabalho e Emprego da Setas, Jean Estevan de Oliveira.

Fonte: http://www.setas.mt.gov.br/conteudo.php?sid=44&cid=1054&parent=0

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Obstáculos que prejudicam a eficiência do Crediamigo

Autor(es): Sidney Soares
Valor Econômico – 26/12/2012

Apesar da primeira experiência brasileira “moderna” de microcrédito ter ocorrido em 1973, observa-se que o segmento vem evoluindo lentamente e encontra-se muito distante de seu potencial. Em 2011, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) estimou que o grau de profundidade das microfinanças no Brasil era de apenas 8,1%; enquanto que Bolívia, Nicarágua e Peru lideravam as estatísticas na América Latina e Caribe com, respectivamente, 43,5%, 37,5% e 33,9%.

Entre outros fatores, o setor de microcrédito nacional encontra-se atrofiado e não consegue se alavancar porque se defronta com diversos obstáculos, tais como a reduzida qualidade de informações, limitações normativas, deficiência no nível de transparência, debilidade na estrutura de governança, restritas modalidades de funding e fragilidade da maioria das operadoras.

Com este precário ambiente de negócios, a indústria de microfinanças privada apresenta reduzida motivação para atuar no mercado nacional, que é amplamente dominado por instituições públicas e liderado pelo Crediamigo, ambiente de microfinanças urbana do Banco do Nordeste (BNB) criado em 1997 e considerado o maior programa de microcrédito da América do Sul. Auxiliando no combate à pobreza, ele é reconhecido internacionalmente como um valioso instrumento de política pública, promovendo inclusão social, produtiva e financeira, e contribuindo para o fortalecimento da cidadania.

Há dificuldade em atender indivíduos inseridos na pobreza, pois pode comprometer os resultados

Grande parte de seu sucesso ocorre em função da competência técnica de sua mão de obra, da metodologia empregada, da utilização de práticas de gestão adequadas e do sólido conhecimento que o banco público tem sobre a região Nordeste. Além desses elementos, parcela expressiva de seu êxito ocorre em função do aproveitamento das oportunidades geradas pelas regras do jogo, que, apesar de não alavancar o universo do segmento, vem impulsionando o programa, proporcionando-lhe significativa vantagem diante de seus concorrentes, tais como aquelas que facilitam captação de funding por meio de recursos subsidiados; as que possibilitam parcerias com entidades que trabalham com a lógica do segmento privado; e as que permitem a utilização de um conjunto mais amplo de produtos e serviços de microfinanças, como é o caso de conta corrente e seguro de vida.

Apesar dos excelentes resultados conquistados, o Crediamigo encontra alguns obstáculos que precisam ser enfrentados e que tendem a comprometer sua eficiência, pois desenham pequena mancha em sua riqueza institucional. O primeiro relaciona-se com a dificuldade em atender os indivíduos inseridos no núcleo duro da pobreza, uma vez que tal atitude pode comprometer seus resultados. Convém mencionar que este comportamento não é exclusividade sua, mas uma característica intrínseca da indústria de microfinanças que enfrenta o trade-off entre sustentabilidade e alcance social.

O segundo vincula-se com a tendência de concentração da carteira de crédito em favor dos cearenses. O histórico dos recursos direcionados para os Estados nordestinos aponta que o Ceará tem sido o maior beneficiário, cuja participação máxima alcançou 31,5% em 2011, valor muito superior aos 11,8% observados em 1998. No extremo oposto, observa-se que Bahia e Pernambuco (unidades federativas que possuem o maior quantitativo de pobres na região) estão perdendo espaço ao longo do tempo, uma vez que, em 2011, suas fatias da carteira atingiram, respectivamente, 12,9% e 8%, números bem inferiores aos ápices conquistados nos primeiros anos de atividade (22,6% para os baianos em 1998 e 16% para os pernambucanos no ano 2000).

O terceiro está relacionado com sua área de ação, que ao extrapolar o espaço geográfico básico de atuação do BNB – que compreende o Nordeste, o norte de Minas Gerais e o norte do Espírito Santo – entra em conflito com suas origens. Convém lembrar que este banco de desenvolvimento foi criado para combater os problemas gerados pelas frequentes secas e estancar o processo de exportação de capitais direcionados para o Centro-Sul, que alimentava o subdesenvolvimento da região, fenômeno cuidadosamente estudado por Celso Furtado. Atualmente, recursos financeiros que poderiam contribuir para a redução da pobreza no Nordeste estão escoando para várias partes dos Estados mineiro e capixaba, Goiás, Distrito Federal e para o sedutor mercado do Rio de Janeiro. A formação de parcerias com outras unidades federativas é louvável e deve ser incentivada, principalmente se o Crediamigo permutar seu know-how por recursos financeiros para empregá-los nos territórios mais pobres do país, porém o vazamento de capitais para regiões mais ricas é questionável e merece profunda reflexão.

O quarto apoia-se na tendência em privilegiar municípios que apresentam maior dinâmica econômica, comportamento típico de banco comercial. Como exemplo, podemos citar que, em 2011, Linhares e Colatina receberam 64,9% dos desembolsos no Espírito Santo; Teresina e Parnaíba foram contempladas com 32,9% dos empréstimos no Piauí; Maceió e Arapiraca acolheram 22,7% dos recursos aplicados em Alagoas; e a cidade de Fortaleza recebeu 19,1% dos desembolsos injetados no Ceará, constituindo-se como a maior beneficiária do programa, cujos clientes embolsaram cerca de R$ 171 milhões, superando os Estados do Rio Grande do Norte, Alagoas e Sergipe.

É inegável a importância do Crediamigo na geração de renda, na promoção da melhoria da qualidade de vida, no incremento da cidadania e no combate à pobreza. Entretanto, enquanto persistirem os obstáculos apontados, sua eficiência não estará no nível ótimo e a velocidade de inclusão financeira, social e produtiva será retardada. Uma solução para esses problemas seria empregar recursos subsidiados para “os mais pobres entre os mais pobres”; e implementar regras claras que indiquem o montante de recursos que devem ser direcionados para cada unidade federativa e município e que blindem o programa dos encantos de mercados atraentes.

Sidney Soares Chaves é doutor em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e analista do Banco Central. A opinião expressa neste artigo pertence exclusivamente ao autor e não reflete a visão do Banco Central.

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Micro e pequenas empresas: aprovada a criação da Secretaria com status de Ministério

Câmara aprova criação da Secretaria Especial da Micro e Pequena Empresa
07/11/2012 – 20h04

Iolando Lourenço Ivan Richard
Repórteres da Agência Brasil

Brasília – A Câmara dos Deputados aprovou hoje (7) o projeto de lei que cria a Secretaria da Micro e Pequena Empresa, que terá status de ministério. A proposta, de autoria do Palácio do Planalto, recebeu 300 votos a favor e 45 contra e 1 abstenção. O texto segue agora para análise do Senado.

Pelo projeto, caberá à secretaria coordenar as políticas e formular os programas para as micro e pequenas empresas. Além da criação do cargo de ministro de Estado, a proposta cria o cargo de secretário executivo e mais 66 cargos de natureza especial de Direção e Assessoramento Especial (DAS), que são de livre nomeação, ou seja, sem concurso público.

Segundo cálculos do governo, o impacto financeiro da criação do novo ministério, que será diretamente ligada à Presidência da República, será de R$ 7,9 milhões, por ano. O texto original do governo previa a criação de 68 cargos DAS, mas o relator, deputado Júnior Coimbra (PMDB-TO) diminuiu para 66.

A secretaria terá o papel, entre outros, de auxiliar na formulação, coordenação e articulação de políticas e diretrizes para o apoio à empresa de pequeno porte e artesanato, ao cooperativismo e associativismo urbanos e ao fortalecimento, expansão e formalização das micro e pequenas empresas.

De acordo com o projeto de lei, serão transferidas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior para a nova secretaria as competências referentes a microempresa, empresa de pequeno porte e artesanato. Do Ministério do Trabalho sairão para o novo órgão as competências referentes ao cooperativismo e associativismo urbanos.

No ano passado, a presidenta Dilma Rousseff chegou a convidar a empresária Luiza Helena Trajano, dona da rede de lojas varejistas Magazine Luiza, para comandar a secretaria.

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Investindo em inclusão financeira

Autor(es): Daniel Schydlowsky
Valor Econômico – 08/10/2012

A crise financeira de 2008 ressaltou a profunda importância do sistema financeiro para a economia globalizada. Mas 2,5 bilhões de pessoas em todo o mundo ainda não têm acesso a serviços bancários formais, facilidades de crédito ou instrumentos de poupança. Trazer esse amplamente ignorado “mercado reprimido” para o sistema financeiro formal enriqueceria e fortaleceria a economia mundial.

Os “sem banco”, que vivem principalmente nos países em desenvolvimento, constituem quase metade da população mundial em idade economicamante ativa. Em alguns países, até 90% da população não têm acesso ao sistema financeiro formal. Isso impede sua participação na economia mundial, restringindo sua capacidade de comprar bens e serviços, de tomar empréstimos e de poupar ou de investir em seu futuro e no de sua comunidade e de seu país.

A maior parte dos esforços mundiais de redução da pobreza dependem de soluções “de cima para baixo” – fluxos de ajuda ao desenvolvimento dos países ricos para os países pobres – que em grande parte se concentram em educação, segurança alimentar e gestão e prevenção de doenças. Mas melhorar o acesso ao setor financeiro formal é um desafio ímpar que não pode ser combatido com a ajuda externa ou doações de governos.

Nos países em desenvolvimento, cerca de 1,7 bilhão de pessoas possuem telefones móveis, mas não têm acesso a serviços bancários. Aproveitar essa tecnologia para expandir o uso de produtos financeiros faria uma alavancagem das comunidades rurais

Em geral, as soluções domésticas têm provado ser mais eficazes do que políticas impostas de fora. Embora não haja uma solução única e universal, a compreensão de fatores comuns a diferentes países sugere uma maneira útil de avançar. Por exemplo, em todo o mundo as populações estão abraçando a tecnologia, especialmente os serviços móveis. No entanto, as pessoas em todo o mundo em desenvolvimento frequentemente carecem de identificação adequada, endereço fixo ou empregador formal.

Soluções que capitalizam tendências ou atacam desafios comuns têm maior chance de produzir um impacto. Uma política que dê certo em um ou dois mercados pode então ser compartilhada, analisada e adaptada para aplicação em outro país.

Nos países em desenvolvimento, cerca de 1,7 bilhão de pessoas possuem telefones móveis, mas não têm acesso a serviços bancários. Aproveitar essa tecnologia para expandir a inclusão financeira proporcionaria uma alavancagem econômica, especialmente a pequenos agricultores e comerciantes em comunidades rurais, que poderiam usar seus celulares para acessar de dados de preços em mercados, transferir dinheiro, fazer compras no varejo, depositar renda e pagar contas – e tudo isso sem deixar suas lavouras ou lojas.

Isso incentivaria a poupança, que é crucial para abrir firmas e para disponibilizar capital de investimento para outros. E opções legais e regulamentadas para salvaguardar a poupança e o acesso ao crédito reduziriam a dependência em relação ao mercado negro ou à economia informal, onde a exploração financeira floresce.

No Quênia, uma agência regulamentadora criou as condições necessárias para o florescimento de um inovador sistema de serviços financeiros via telefonia móvel, o M-Pesa. Desde sua inauguração, em 2008, o M-Pesa já atraiu cerca de 14 milhões de quenianos – quase um terço da população total do país – que o usa para transferências de dinheiro, poupança e outras transações financeiras.

Agências regulamentadoras e instituições privadas locais podem colaborar para criar instrumentos bancários e creditícios seguros e acessíveis. Foi assim que o Brasil desenvolveu um referencial regulamentador que permitiu aos bancos construir uma rede de 95 mil agências bancárias. Em consequência, um número estimado em 13 milhões de brasileiros – em quase todos os cerca de 5,6 mil municípios no país, da Amazônia às favelas de São Paulo e do Rio de Janeiro – foram incorporados ao sistema financeiro.

De modo similar, um banco estatal indonésio, o Banco Rakyat Indonésia, oferece financiamento de microsserviços a 30 milhões de pessoas, enquanto na Índia contas de poupança básicas atraíram 12,5 milhões de clientes. Outras histórias de êxito regulamentador nasceram no México, Peru, Bolívia, Uganda, África do Sul, Filipinas, Tailândia e Mongólia.

Líderes financeiros já começaram a propagandear tais casos de sucesso, e as políticas que os viabilizaram, para reforçar e expandir a inclusão financeira. A Aliança para a Inclusão Financeira (AIF) – um grupo (do qual participo) de presidentes de bancos centrais, autoridades regulamentadoras e ministros das Finanças de mais de 80 países em desenvolvimento na Ásia, África, América Latina e Oriente Médio – está compartilhando conhecimento para desenvolver e implementar políticas eficazes.

Em setembro de 2011, no Fórum Mundial de Políticas da AFI, no México, 17 autoridades financeiras adotaram a Declaração Maya, iniciativa inédita que reúne um conjunto de compromissos específicos e mensuráveis que visam ampliar a inclusão financeira. A partir de então, outras sete instituições se comprometeram com a declaração acredita-se que ainda outras manifestem sua adesão antes da realização do fórum deste ano na Cidade do Cabo, na África do Sul, onde experiências serão compartilhadas e progressos avaliados.

A Aliança entende que a globalização não é um jogo de soma zero. Os países em desenvolvimento podem se beneficiar da abertura dos mercados a novas iniciativas de comércio e investimento, ao passo que o mundo desenvolvido pode beneficiar-se da infusão de novos clientes, fornecedores e capital (possivelmente na casa dos trilhões de dólares). Se os 2,5 bilhões de pessoas sem banco no mundo aderirem à economia mundial, todos os setores econômicos experimentarão inovação e crescimento.

Em vez de esperar por soluções de banqueiros americanos, europeus ou de outros países avançados, os países em desenvolvimento estão liderando o caminho rumo à inclusão financeira e, nesse processo, remodelando dramaticamente a economia mundial. A abertura do sistema financeiro às pessoas mais pobres do mundo vai desbloquear seu potencial econômico e social – para benefício de todos. (Tradução de Sergio Blum)

Daniel Schydlowsky foi conselheiro para assuntos econômicos e financeiros do presidente peruano e presidente da Corporação Financeira para o Desenvolvimento do Peru e é atualmente diretor da Superintendência de Banca, Seguros y Administradoras Privadas de Pensiones, que supervisiona o setor financeiro no Peru. Copyright: Project Syndicate, 2012.

Fonte: http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/10/8/investindo-em-inclusao-financeira

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Os cinco maiores bancos detém 80% do crédito no Brasil

Cinco bancos detêm 80% do crédito

De cada R$ 100 emprestados no Brasil, R$ 80,34 foram desembolsados por apenas cinco bancos: Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco, Caixa Econômica Federal e Santander. Os números mostram o maior nível de concentração bancária dos últimos dez anos. Apesar desse fortalecimento do “grupo dos cinco”, o Banco Central considera que a concorrência continua em “nível adequado” e o “setor segue competitivo”. Nos Estados Unidos, onde se fala dos bancos grandes demais para quebrar, as cinco maiores instituições financeiras possuíam ativos totais equivalentes a 51% do PIB do país em 2007 e respondem por 56% agora. No Brasil, os ativos do “grupo dos cinco” foram de 57% para 86% do PIB no mesmo período.

De cada R$ 100 emprestados no Brasil, R$ 80,34 foram desembolsados por apenas cinco bancos: Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco, Caixa Econômica Federal e Santander. Os números, que levam em conta o estoque de crédito atual, mostram o maior nível de concentração bancária dos últimos dez anos e, provavelmente, desde sempre. Há uma década, as cinco maiores instituições não tinham nem 60% do estoque de crédito do país. De cada R$ 100 desembolsados, eram responsáveis por R$ 58,66, segundo dados do Banco Central elaborados pelo Valor.

Não é apenas nos empréstimos e financiamentos que a predominância do “grupo dos cinco” é crescente. Em ativos totais e depósitos, o fenômeno se repete. Mas é no crédito que a concentração costuma provocar mais chiadeira por parte dos tomadores.

Em recente entrevista ao Valor, o presidente de uma grande distribuidora de energia comentou que a quantidade de grandes bancos ficou tão diminuta que as empresas não podem mais se indispor com nenhum deles, principalmente em momentos de turbulência.

Sempre que um banco compra ou se funde com outro, a reclamação das empresas é a mesma. Quando se fala em limite de crédito, a regra matemática não funciona: um mais um nunca é igual a dois. A disponibilidade de crédito dada por dois bancos separados não corresponde ao mesmo volume que eles passam a oferecer quando se unem. As empresas também avaliam que o poder de barganha delas em relação ao custo do dinheiro cai.

Desde 2008, não foram poucos – nem pequenos – os casos de fusão e aquisição no setor bancário que colaboraram para a maior concentração de ativos, crédito e depósitos nas mãos dos cinco maiores bancos do país. A largada foi dada quando o Santander assumiu o Real, em 2008. Pouco depois, Itaú e Unibanco fundiram suas operações, criando o maior banco brasileiro. Em seguida, o Banco do Brasil ficou com a Nossa Caixa e, em 2009, ainda comprou metade do Banco Votorantim.

Mais recentemente, em julho, Itaú e BMG se uniram em um novo banco para ofertar crédito consignado. O empréstimo com desconto direto na folha de pagamento era uma das poucas modalidades de crédito de varejo que ainda tinha bancos médios especializados como concorrentes, mas que está cada vez mais ficando nas mãos dos grandes bancos. O Cruzeiro do Sul, por exemplo, está sob intervenção do Banco Central e pode acabar sob o controle de uma instituição do “grupo dos cinco” ou liquidado.

Não são, porém, apenas as fusões e aquisições que explicam a concentração cada vez mais intensa do crédito. Dentro desse “grupo dos cinco”, os protagonistas da aglutinação são os bancos públicos, que cresceram principalmente de forma orgânica. Se, em 2002, Banco do Brasil e Caixa eram responsáveis por R$ 25,83 de cada R$ 100 emprestados, hoje eles respondem por R$ 39,08, ou R$ 13,25 a mais, sem se considerar o BNDES. No mesmo período, as três maiores instituições privadas avançaram bem menos juntas, R$ 8,43.

Até o fim do ano, a expectativa é que o quinhão dos bancos públicos cresça ainda mais. Em um ano de baixo crescimento econômico, em que o governo deflagrou uma batalha pela redução dos spreads no Brasil, Caixa e BB seguem crescendo mais do que a média de sistema financeiro, abocanhando – mesmo que temporariamente – fatias de mercado. Ao mesmo tempo, Bradesco e Itaú Unibanco reduziram a previsão de expansão do crédito no ano.

Apesar do rápido fortalecimento do “grupo dos cinco”, o Banco Central considera que a concorrência continua em “nível adequado”. Pelas métricas da autoridade, que seguem um cálculo internacional (Índice de Herfindahl-Hirschman), o patamar de concentração ainda está na categoria moderada. “O setor segue competitivo, gerando as eficiências que asseguram o seu regular funcionamento e a adequada prestação de serviços aos usuários”, afirma a autoridade por meio de uma nota.

Mas é inegável que a autoridade tem lançado mão recentemente de algumas medidas para evitar uma concentração excessiva. O Banco Central cita entre as decisões tomadas para estimular a concorrência bancária a padronização das tarifas cobradas, a portabilidade do crédito e a proibição de assinaturas de contratos de exclusividade na prestação de serviços. Em abril, a autoridade publicou uma circular explicitando que em fusões e aquisições pode exigir que os bancos aceitem determinações no sentido de eliminar efeitos anticoncorrenciais. Na aquisição da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil, o BC já chegou a atuar nesse sentido.

O “nível adequado” apontado pelo Banco Central brasileiro, entretanto, provavelmente deixaria muitos americanos de cabelo em pé. Nos Estados Unidos, onde muito se fala dos bancos grandes demais para quebrar – os chamados “too big to fail” -, as cinco maiores instituições financeiras possuíam ativos totais equivalentes a 51% do PIB daquele país em 2007, antes do estouro da crise financeira. Naquele mesmo ano, os ativos dos cinco maiores banco do Brasil representavam 57% do PIB doméstico.

Mas, embora os EUA tenham sido o epicentro da crise e visto uma série de fusões entre instituições de grande porte antes e depois da quebra do Lehman Brothers, a desalavancagem que se sucedeu fez com que os cinco maiores bancos daquele país tivessem, em março, ativos que correspondiam a 56% do PIB de 12 meses até a mesma data, indicando uma pequena elevação ante 2007. No Brasil, o aumento da concentração foi muito maior, com a fatia dos ativos do “grupo dos cinco” atingindo 86% do PIB brasileiro, uma alta de quase 30 pontos percentuais.

Autor(es): Por Carolina Mandl e Fernando Torres | De São Paulo
Valor Econômico – 02/08/2012

Fonte: http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/8/2/cinco-bancos-detem-80-do-credito

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Programas Agroamigo e Crediamigo como modelos de políticas públicas de desenvolvimento

Sessão Especial avalia desempenho do microcrédito no Banco do Nordeste

Fortaleza (CE), 19 de julho de 2012 – Os programas de microcrédito rural e urbano do Banco do Nordeste, respectivamente Agroamigo e Crediamigo, serão tema da sessão especial sobre avaliação de políticas públicas, que compõe a programação do XVIII Fórum BNB de Desenvolvimento.

A “Sessão Especial BNB/ETENE: Avaliação de Políticas Públicas: Agroamigo e Crediamigo” vai acontecer na sexta-feira, 20 de julho, às 14h. Ela será presidida pelo superintendente do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), José Narciso Sobrinho, e terá como expositores o professor da Universidade de São Paulo (USP), Gabriel Madeira, e o chefe do Centro de Políticas Sociais, filiado ao Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcelo Neri.

O evento, que comemora os 60 anos do Banco do Nordeste, começou nesta quinta-feira, 19 de julho e prossegue até amanhã, no Centro Administrativo do BNB (Av. Pedro Ramalho, 5700 – Passaré), em Fortaleza.

Agroamigo
Gabriel Madeira é um dos autores do livro “Cinco anos de Agroamigo – Retrato do público e efeitos do Programa”, que reproduz uma pesquisa realizada com cerca de 1.600 clientes do Agroamigo e do Pronaf B tradicional. A pesquisa mostra que o acesso ao crédito pelos agricultores rurais favorece o aumento da produção agrícola e pecuária, principalmente para os clientes localizados fora da região do semiárido. Além disso, as informações sobre os componentes que permitem definir o padrão de consumo dessas famílias apresentam indícios de que a participação do Agroamigo amplia as chances de um nível de vida melhor, quando se comparam seus beneficiários àqueles que acabam de ingressar no Programa.

De janeiro a junho deste ano, o Programa Agroamigo desembolsou mais de R$ 410 milhões na economia nordestina. O montante representa 106,5% da meta estipulada para o período, ultrapassando em R$ 25 milhões o valor planejado. Os recursos foram distribuídos em mais de 169,6 mil operações de microcrédito rural. Durante os sete anos de atuação, o Programa já contratou R$ 2,9 bilhões com os agricultores familiares de baixa renda, distribuídos em aproximadamente 1,7 milhão de operações de microcrédito rural, atendendo a 1.945 municípios da área de atuação do Banco (ou 97,7% do total).

Em março, o Conselho Monetário Nacional aprovou que a metodologia do Agroamigo seja estendida a outros grupos do Programa, a partir desse ano. O método será empregado em toda área de atuação do Banco, em contratos de até R$ 15 mil, exceto em operações dos grupos A e A/C.

Crediamigo
Marcelo Neri é autor de “A nova classe média brasileira – O lado brilhante da base da pirâmide”. Segundo ele, o crédito produtivo popular é fundamental para dar vazão aos espíritos empreendedores das comunidades de baixa renda. Em estudo anterior, o autor já havia identificado que mais da metade (60,8%) dos clientes do Programa Crediamigo saíram da linha da pobreza e deixaram para trás sua condição de miserabilidade, 35% aumentaram seus rendimentos e 15% aumentaram seu consumo.

Para Marcelo, a evolução do programa demonstra uma capacidade de atender clientes de renda inicial cada vez mais baixa e sua análise mostra que quanto maior é o tempo de exposição dos clientes ao programa, maior é o seu impacto sobre os negócios.

O Crediamigo é o maior programa de microcrédito da América do Sul e possui cerca de dois terços do mercado nacional de microcrédito. É autossustentável, gera lucro de 50 reais/ano por cliente e não depende de benefícios fiscais, aproximando-se do que se pode chamar “política social de mercado”.

Criado em 1998, o Programa facilita o acesso ao crédito a milhares de empreendedores urbanos, em sua maioria informais, que desenvolvem atividades relacionadas à produção, à comercialização de bens e à prestação de serviços. A experiência do Crediamigo mostrou-se exitosa em diversos aspectos, trabalhando com sucesso a metodologia do grupo solidário, a orientação empresarial e financeira e o desenvolvimento dos empreendedores através de uma equipe de Assessores de Crédito motivada e competente. O Crediamigo faz parte do Crescer – Progama Nacional de Microcrédito do Governo Federal – uma das estratégias do Plano Brasil Sem Miséria para estimular a inclusão produtiva da população extremamente pobre. Atualmente, possui mais de 1 milhão de clientes ativos. De janeiro a maio deste ano, injetou mais de R$ 1,5 bilhão, em valores contratados.

Fonte: http://www.bnb.gov.br/Content/aplicacao/Grupo_Principal/Nordeste_Noticias/conteudo/nordeste_noticias_detalhes.asp?lstrCodNoticia=3252

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