Posts belonging to Category Clipping



É preciso democratizar mais as finanças

Valor Econômico – 18/05/2012

Nos anos 1990, Robert J. Shiller previu o estouro da bolha do mercado de internet. Antes de 2007, previu a crise das hipotecas nos EUA. Hoje, preocupa-se com a perspectiva de que as falhas do sistema financeiro americano sejam atribuídas ao próprio conceito de finanças. Para se contrapor a algo que considera um exagero perigoso, escreveu “Finance and the Good Society”, no qual argumenta que as inovações do mercado financeiro, apesar de tudo, caminham na direção de uma maior democratização do acesso ao capital.

O economista, professor de finanças na Universidade de Yale, faz questão de ressaltar que seus cursos estão disponíveis gratuitamente na internet. Vê com bons olhos as reivindicações do movimento Occupy Wall Street, que denuncia a desigualdade de renda nos EUA e o excesso de influência dos bancos sobre o sistema político americano. Sua intenção, afirma, não é defender os líderes de Wall Street, “como diziam alguns e-mails muito raivosos que recebi”, mas sugerir alternativas que fortaleçam o capitalismo financeiro como instituição democrática. “Tenho muita esperança na iniciativa do crowdfunding”, diz.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista que Shiller concedeu ao Valor.

Valor:

O que o impulsionou a escrever um livro para o público geral sobre as finanças?

Robert Shiller: Foi um esforço de demonstrar como o capitalismo financeiro tem o poder de transformar o mundo e a vida das pessoas. Com o avanço dos instrumentos financeiros, a possibilidade de melhorar o nível de vida das populações crescia. Era e continua uma questão de ampliar o acesso ao financiamento e ao investimento para cada vez mais camadas da população. Meu objetivo é ressaltar essa necessidade de democratizar as finanças. Esta é uma história de séculos. A crise expôs as fraquezas do sistema como se organizou nos últimos tempos, mas a solução é reformá-lo e fazê-lo avançar.

Valor: Com a crise, as pessoas se sentem excluídas, não incluídas, no sistema. Um problema apontado é a concentração de poder, que abre caminho para fraudes e esquemas de pirâmide.

Shiller: Sou professor de finanças há 25 anos e tenho observado que os alunos passaram a sentir que trabalhar com finanças é moralmente errado. A hostilidade às finanças cresceu muito, mas o capitalismo financeiro é um sistema imprescindível, embora precise de regulamentos e controles. De fato, o sistema hipotecário americano tinha muitas falhas e fraudes, mas mesmo assim democratizou muito o acesso à propriedade.

Valor: Ainda assim, o que temos visto nos últimos 20 anos é um processo de concentração no mercado financeiro e na renda.

Shiller: A concentração da renda é um dos principais problemas. A bandeira do movimento Occupy Wall Street é a ideia da oposição entre os 99% e o 1%, porque a desigualdade cresceu muito nos últimos 30 anos e é um problema difícil de solucionar. Temo que ainda fique bem pior. Não tenho a solução definitiva, mas não vejo como má ideia o aumento de impostos para as classes abastadas. É preciso reverter os cortes de impostos da era Bush.

Valor: E quanto à concentração do mercado? As fusões foram intensas nas últimas décadas e produziram corporações gigantescas, cujas falhas podem levar a economia toda à lona.

Shiller: É preciso aplicar no setor financeiro as leis antitruste, que existem há mais de cem anos e das quais os bancos ficaram a salvo. O capitalismo financeiro funciona melhor com um número maior de empresas menores. É preciso desmembrar corporações, como aconteceu com a telefonia nos EUA em 1982. Por enquanto, o máximo que se propôs é que as companhias fossem desmembradas ao atingir 10% do mercado. Isso não adianta, é o tamanho dos maiores bancos hoje.

Valor: No livro, o senhor comenta que a evolução das finanças exige uma compreensão melhor de outros campos das ciências humanas.

Shiller: Esse é um dos grandes problemas dos economistas: poucos leem qualquer coisa que não sejam artigos da própria área. Os problemas que estão aparecendo são humanos, ou seja, essencialmente sociais e políticos. Eles se expressam financeiramente porque as finanças existem para expressar forças da sociedade. É preciso recorrer à sociologia e à ciência política, que explicam essas forças. Não só: também à economia comportamental e à psicologia.

Valor: O problema remete à desregulamentação e à liberalização financeira dos anos 1970?

Shiller: A regulação é fundamental. Isso já se tornou evidente. Ao fim dos anos 1980, tivemos a crise gravíssima das cooperativas “Savings & Loans”, que tinham sido desregulamentadas e provocaram uma recessão em 1990-1991, seguida de déficits orçamentários. O mesmo vale para a quebra das instituições Fannie Mae e Freddy Mac, em 2008. A questão é que a regulação tem de se manter atualizada. A evolução dos instrumentos financeiros sempre está muito à frente, e os reguladores têm de correr atrás.

Valor: Soa estranho reduzir uma crise financeira e um problema social e psicológico.

Shiller: É surpreendente, mas as finanças expressam algo da realidade social e psíquica. A causa da recessão, hoje, passa por essa expressão. Por baixo das bolhas existe um pensamento de bolha. Nos anos 1990 e 2000, as pessoas acreditaram que o mercado imobiliário deixaria todo mundo rico. Pensavam que os preços de residências nunca poderiam cair, argumentando que a terra é um bem escasso. É uma ideia absurda, mas recorrente.

Valor: O próprio estudo das finanças não consegue revelar seus limites?

Shiller: Não, se as finanças forem olhadas isoladamente. Precisamos da sociologia. No livro, faço uma lista de situações de bolha onde as finanças estão ausentes. Aconteceu na União Soviética e na China de Mao Tsé-tung. A lógica é a mesma. Entusiasmo público, concentração extrema de esforços em áreas específicas, os membros da elite política e econômica oferecendo remunerações e incentivos exorbitantes uns aos outros. A diferença é que não havia analistas apontando que o limite chegaria.

Valor: Falando em influência política, uma questão que se impõe é como essa regulação poderia ser feita se a influência do setor financeiro sobre Washington é tão poderosa.

Shiller: O problema político é central. Em Washington, a influência política se exerce por meio dos lobbies, mas, de 30 anos para cá, o poder de fazer lobby ficou muito desequilibrado. Antes, os interesses dos sindicatos e os das corporações se contrabalançavam, mas o poder sindical foi profundamente enfraquecido. Até os anos 1970, havia leis que protegiam os sindicatos, mas elas foram mudadas e quebraram a espinha do lado dos trabalhadores. A opinião pública, na era Reagan, foi muito hostil aos sindicatos. O desequilíbrio que resultou dessa era abriu as comportas para os interesses financeiros. É preciso repensar isso, e também controlar o financiamento de campanhas políticas.

Valor: Até onde as leis Dodd-Frank, que buscam regular as finanças, são eficazes?

Shiller: Chris Dodd e Barney Frank são muito inteligentes, mas tudo que eles conseguiram por em prática foi um quadro geral de propostas. Depois, convocaram mais de 50 estudos e ainda não se chegou a um resultado final. Precisamos de pessoas cada vez mais competentes e bem equipadas na regulação. Hoje, os reguladores estão sobrecarregados e só conseguem fiscalizar uma fração ínfima do mercado.

Valor: O poder político das corporações é tão grande que pode bloquear qualquer iniciativa?

Shiller: É muito grande, mas não tão acachapante como as pessoas pensam. Caso contrário, nem teríamos as leis Dodd-Frank. Há quem diga que o banco Goldman Sachs domina o mundo. Não é verdade. Eles conseguiram emplacar o secretário do Tesouro no governo Bush (Henry Paulson), que pode ter tomado atitudes para beneficiar o banco de onde vinha em algo como US$ 12 bilhões. Mas no cômputo geral do sistema, isso é ínfimo.

Valor: Com mercados globais, seria preciso introduzir uma regulação global, mas as iniciativas não parecem avançar a contento.

Shiller: É difícil avançar na regulação global dos mercados, mas houve progressos. Veja-se a coordenação dos países do G20, que se encontraram e evitaram que a economia mundial entrasse em colapso. Ainda que um sistema funcional de regulação esteja longe, o contato constante entre os principais países evita que cada um nade em direção diferente.

Valor: Tanto os Estados quanto as empresas, financeiras ou não, estavam muito alavancados antes da crise e continuam assim. É possível desalavancar sem produzir uma depressão?

Shiller: Neste momento, não se deve nem pensar em desalavancar o setor público. No meio de uma crise, seria um desastre. No setor privado, tem havido uma lenta desalavancagem. As dívidas de cartão de crédito nos EUA estão caindo. As dívidas de hipoteca, também. A desalavancagem deveria ter acontecido enquanto a economia crescia, mas isso é muito difícil, quem vai se dispor a correr menos risco e, com isso, investir menos, se não existir uma regulação eficaz?

Valor: Se os Estados europeus estão sufocados em dívidas, com bancos quebrando e a Grécia a ponto de deixar a zona do euro, de onde os governos vão tirar a musculatura financeira para promover o crescimento? Há esperança na Europa?

Shiller: Há muita esperança na Europa. Eles tiveram vários séculos de protagonismo no sistema mundial e não vão ficar tão enfraquecidos agora. Mas é preciso mudar algo, sim. A austeridade é um erro enorme, mas com grande apelo entre eleitores, com a metáfora das finanças familiares: se os tempos são duros, é preciso poupar mais… A Espanha convive com altos índices de desemprego há muito tempo, metade dos jovens no país não tem emprego e muitos querem emigrar. Isso é insustentável.

Valor: Essa descrição parece bem pouco esperançosa. Ainda mais agora que a China, a Índia e o Brasil estão desacelerando.

Shiller: Toda a conjuntura aponta para uma recessão global, o que é péssimo, mas não é o fim do mundo. Os ajustes serão necessários, mas o desastre pode ser evitado se conseguirmos escapar ao perigo dos excessos da austeridade, que transformariam a recessão em depressão. Quanto ao crescimento dos emergentes, ele foi extraordinário, nos últimos dez anos. Mas não poderia continuar nesse ritmo para sempre. Esses países vão continuar crescendo, só que a um ritmo mais baixo. O importante é que a crise não os leve a abandonar o capitalismo financeiro, de que se aproveitaram tão bem nos últimos tempos.

Valor: A crise das finanças impõe riscos para empreendimentos que estejam começando?

Shiller: A despeito de todas as falhas do mercado financeiro, o empreendedorismo está mais vibrante do que nunca. O capital de risco para incubadoras de empresa está em expansão e a grande novidade, em que ponho muita esperança, é o “crowdfunding”. Essa iniciativa vai ser explosiva. É mais um experimento muito promissor nas finanças, e no sentido cada vez mais voltado para a democratização financeira. O capital funciona muito bem quando ele dissemina recursos entre pessoas que não estão em comunicação direta.

Valor: Qual é a particularidade de um capitalismo financeiro, no interior do capitalismo?

Shiller: A evolução das finanças remete ao século XIX, quando surgiram as empresas de capital aberto, e também quando foi inventada, quase sem querer, a responsabilidade limitada. Depois vieram as opções, os derivativos, as hipotecas. Como resultado, o capitalismo financeiro é muito diferente daquele capitalismo do tempo de Adam Smith, cujo eixo eram as empresas familiares. A essência das finanças não está na especulação, mas no financiamento de atividades. É um sistema de organização. A especulação é um subproduto perigoso, mas não de todo incontrolável, como tem sido dito e temido desde o estouro da bolha hipotecária.

Bookmark and Share

Gestão para Autossustentabilidade Financeira das Instituições de Microfinanças

Cristiano Colozzi, engenheiro, publicou recentemente um interessante artigo sobre a autossustentabilidade das Instituições de Microfinanças, a partir da análise do caso da Oscip São Paulo Confia.

Por meio do Linkedin, solicitei sua autorização para divulgar aqui no Blog do Microcrédito cópia do artigo, que ele gentilmente concedeu.

Segue o artigo, para leitura. Aproveite.

Gestão para Autossustentabilidade Financeira das Instituições de Microfinanças

Bookmark and Share

O movimento dos bancos éticos

Banco ético: uma alternativa às finanças predatórias

O movimento dos bancos éticos ainda ocupa um espaço pouco expressivo no conjunto do sistema financeiro. No entanto, em razão da crise dos últimos anos, esse modelo alternativo (a grande maioria no espaço europeu) tem logrado conquistar um crescimento importante em seus nichos de atuação.

Paulo Kliass

A crise por que passa o sistema financeiro internacional parece longe de ver seu fim. A partir do recrudescimento do cenário norte-americano em 2008, os efeitos negativos das dificuldades enfrentadas pelos bancos naquele país terminaram por evidenciar as reais características do fenômeno da globalização. O “financês” acaba por incorporar as expressões das ciências biológicas e da saúde, e passa a utilizar a imagem da “contaminação dos mercados”. Além da quebradeira em série de bancos nos Estados Unidos, a crise atravessou o Atlântico e aprofundou-se no espaço da União Européia. E sempre tendo como principais personagens – os detonadores da crise – os bancos e demais instituições financeiras.

Mas, como não poderia deixar de ocorrer, mesmo os países que não estavam completamente atrelados às dificuldades daquelas instituições financeiras, passam a sofrer em sua economia real. O ritmo de crescimento dos países em desenvolvimento é reduzido em função da queda na demanda dos países mais ricos. Além disso, os efeitos da injeção de vários trilhões de dólares e euros no mercado internacional apresentam sua fatura em termos da nova face da “guerra cambial” que se estabeleceu a partir dos últimos meses.

Esse quadro só faz piorar a imagem do sistema financeiro perante os governos, as instituições sociais, as universidades, as empresas do setor produtivo, o movimento sindical, o mundo da agricultura e a opinião pública em seu conjunto. Apesar de sabermos que a crise se caracteriza como elemento inerente e intrínseco à própria dinâmica do sistema capitalista, o fato é que o sistema financeiro passa a ser identificado como o grande vilão de todo esse processo de destruição de valor, de emprego e de renda.

Bancos bons e bancos éticos
Em artigo anterior (“Ainda há espaço para bancos bons”) procurei tratar desse aspecto, levantando a hipótese de que haveria ainda espaço para aquilo que chamei de “bancos bons”. Ou seja, a reafirmação de uma evidência da modernização dos sistemas econômicos: a necessidade de que algum tipo de instituição cumpra com a função original desempenhada pelos bancos em nossa sociedade. Refiro-me aqui ao fato de recolher os recursos que não seriam destinados ao consumo por parcela dos agentes econômicos (governo, empresas e famílias) e colocá-los à disposição de outros atores que necessitem de recursos para empréstimo. Naquele texto, eu chamava a atenção para 2 tipos de instituições que poderiam ocupar tal espaço, sem necessariamente provocar os desastres que o sistema havia provocado de forma consciente. Tratava-se dos bancos públicos e das cooperativas de crédito.

No entanto, há outras formas de organização que começam a ganhar espaço em vários países nos tempos de hoje, inclusive em razão da mais completa falta de credibilidade que assola o sistema financeiro tradicional. Um movimento significativo é o dos chamados “bancos éticos”. São diversas formas de associação e organização em torno da figura da instituição bancária, mas com princípios e ações completamente distintas daquilo que o nosso ideário pode imaginar como um banco – em função da prática predatória e irresponsável que tem caracterizado a grande maioria das empresas desse tipo no mundo.

Como se pode imaginar, o movimento dos bancos éticos ainda ocupa um espaço pouco expressivo no conjunto do sistema financeiro. Seja em termos de número de bancos, número de clientes, volume de negócios ou outras variáveis quantitativas. No entanto, em razão da crise dos últimos anos, esse modelo alternativo tem logrado conquistar um crescimento importante em seus nichos de atuação. A grande maioria ainda se localiza no espaço europeu, com presença que se expande para os países da América do Norte e mesmo alguns países fora de fora desse eixo. Porém, o interessante é que boa parte dos empréstimos e aplicações de tais instituições se destina a projetos implantados em países do dito mundo subdesenvolvido.

Bancos éticos: princípios e ações

De acordo com a “Federação Européia de Finanças e de Bancos Éticos e Alternativos”, seus integrantes devem obedecer a alguns elementos básicos constantes na Carta de Princípios da entidade. E trais itens servem como síntese das preocupações que norteiam a maior parte dos bancos dessa nova geração do espaço financeiro. Assim, entre outras obrigações, os bancos éticos e alternativos devem:

“a) se engajar para:
- colocar a economia a serviço do ser humano;
- contribuir para a solidariedade, para a coesão social e o desenvolvimento sustentável;
- recusar a busca exclusiva da rentabilidade financeira;
- favorecer a criação de iniciativas inovadoras do ponto de vista social e ambiental.

b) dispor de uma autonomia de decisão em relação a toda e qualquer organização ou empresa externa.

c) financiar as iniciativas econômicas perseguindo, especialmente, os seguintes objetivos:
- a criação de empregos, em especial de empregos de natureza social;
- o desenvolvimento sustentável (energias renováveis, agricultura biológica e biodiversidade);
- a solidariedade internacional e o comércio internacional justo.

d) oferecer uma informação transparente e completa sobre seu funcionamento interno, sobre o recolhimento da poupança e sobre a utilização de tais recursos.”

Os principais bancos, com esse novo tipo de preocupação, estão presentes em países que acumularam uma experiência e um conhecimento na área econômica, social e financeira, o que tem permitido algum grau de adesão a seu projeto. Nos países escandinavos temos, por exemplo, o Cultura Bank (Noruega) o Merkurbank (Dinamarca) e o Ekobanken (Suécia). Na Suíça o mais importante é o Alternative Bank Schweiz. Na Itália, surge o Banca Etica e o Etimos. Há ainda bancos desse gênero na Alemanha, na Bélgica, na Espanha, na Eslováquia, na Inglaterra, entre outros.

Além disso, uma parcela expressiva desse tipo de iniciativa se baseia em preocupações com o micro-empreendedorismo e o micro-crédito, além de apoio a projetos voltados à geração de emprego decente, de preservação do meio-ambiente e de estímulos às atividades culturais e educacionais. Está sempre presente também a marca da transparência em suas atividades e informações negociais.

O exemplo de maior sucesso até o momento parece ser o do Triodos Bank. A iniciativa começou na década de 1980 na Holanda e pouco a pouco foi ampliando seu espaço de ação para outros países europeus. Em 2011, esse banco contava com 355 mil clientes, um crescimento de 24% sobre o ano anterior. Seus ativos totais registravam o equivalente a US$ 9 bilhões, correspondendo a uma elevação de 23% sobre 2010. Seus lucros foram de US$ 22 milhões, um aumento de 51% sobre o exercício anterior. Apesar das boas taxas de crescimento, os valores são ainda poucos expressivos quando comparados com os bancos tradicionais da realidade econômica européia.

Os desafios para a sua implantação

O grande desafio para a ampliação de tais números é de ordem cultural, política e econômica. A participação percentual em relação ao conjunto do mercado financeiro ainda é irrisória. E isso reflete a situação de toda a rede dos bancos éticos do planeta. O desafio cultural mais relevante é convencer a população a tornar-se cliente de um banco que não promete nenhum “milagre de multiplicação dos pães”. Via de regra, a informação é límpida. O banco confirma que oferece rentabilidade menor do que a maioria dos bancos tradicionais, uma vez que não corre risco emprestando para atividades ilegais, empresas suspeitas ou projetos danosos ao meio ambiente, às populações ou aos trabalhadores. Empresta para projetos de longa maturação e que oferecem baixa rentabilidade relativa, exatamente pela preocupação social ambiental ou de comércio justo.

O desafio de natureza política é justamente o engajamento de seus clientes com os projetos nos quais o banco realiza seus empréstimos. Assim, é razoável supor que, para tornarem-se clientes da instituição, os indivíduos devam ter algum grau de informação e consciência a respeito das verdadeiras causas da crise internacional e das possíveis soluções a longo prazo. Depositar seus recursos em um banco ético é, de certa forma, um ato de compromisso político com uma visão bem distinta daquelas divulgadas pelos grandes órgãos de comunicação, a respeito do fenômeno econômico e social em nosso mundo.

O desafio de ordem econômica é conseguir maior penetração no mercado financeiro e atrair os clientes dos tradicionais para uma opção alternativa. Parece claro que a crise contribui, de certa maneira, para que a população em geral fique cada vez mais desconfiada do sistema financeiro tradicional. No entanto, tal postura não significa que qualquer outra opção seja considerada atraente – aí incluída a do banco ético. A falta de credibilidade atual vale para o conjunto das instituições financeiras, independente de seu discurso e por melhores que sejam suas intenções. Até porque as estratégias de marketing tentam vender imagens “bonitinhas e avançadas” de instituições que todos sabemos serem bastante nefastas e perigosas para a sociedade e para o planeta. Assim, o trabalho para consolidação de uma alternativa aos bancos tradicionais é lento.

A realidade brasileira parece estar um tanto distante de um grau razoável de aceitação de bancos éticos. A experiência das últimas décadas, em que a tendência à financeirização da sociedade foi a grande marca, tornou a maioria das pessoas e das organizações reféns da exigência de elevada rentabilidade nas atividades econômicas. Estamos todos intoxicados e quimicamente dependentes das elevadas taxas de juros. O processo de libertação desse vício é lento e comporta elementos também da esfera cultural e comportamental.

No entanto, um bom exemplo deveria justamente surgir do Estado e de suas instituições. É necessário que as autoridades econômicas cumpram também com seu papel pedagógico para as atuais e futuras gerações, abrindo horizontes para uma sociedade menos voltada para a ganância financeira pura e simples. Os bancos públicos deveriam atuar nessa linha e forçar os concorrentes do setor privado a trilhar o mesmo caminho. Os fundos de pensão deveriam redefinir seus padrões de exigência de aplicações e rentabilidade – afinal seus ativos pertencem aos trabalhadores e não deveriam espelhar uma ação tão predatória quanto aquela do capital especulativo privado.

Por mais utópico que possa parecer, vejam que não se trata nem de uma pretensão de mudar, no curto prazo, o comportamento das corporações do mercado privado. Aqui estão listadas apenas as instituições de natureza pública e semi-sindical, que poderiam conviver sem problemas com a mentalidade e os princípios dos bancos éticos. Como sempre, os grandes obstáculos estão na dimensão da política. E imaginava-se que os primeiros passos para as transformações mais profundas e necessárias viriam dessa esfera, quando houve a mudança eleitoral em 2002. Triste ilusão.

Paulo Kliass é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10.

Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=5526

Bookmark and Share

Microcrédito em SP: agora só fazendo curso

Nova regra para concessão de crédito exige curso de capacitação para microempreendedor

02/03/2012

Medida visa reduzir a mortalidade e a inadimplência das empresas, ajudando o negócio a prosperar. O banco São Paulo Confia capacita seus novos e antigos clientes em cursos gratuitos da Academia de Microfinanças

A partir de agora, todas as pessoas que precisarem de microcrédito para incrementar seu negócio deverão passar por curso de capacitação para consegui-lo. A medida vale tanto para os novos microempreendedores quanto para aqueles que quiserem renovar o crédito. O objetivo da norma é reduzir a mortalidade e a inadimplência dos negócios, treinando os empreendedores no controle do seu dinheiro, abordando temas como os cuidados com o caixa, com as contas a pagar e a receber, a prática desse fluxo de caixa, noções sobre técnicas de compras e vendas e a legislação do MEI-Microempreendedor Individual.

“A Lei nº 11.110, sobre o Programa Nacional do Microcrédito Produtivo e Orientado estabelece essa regra, por isso, o banco São Paulo Confia passou a exigir, sem exceção, que todos os clientes participem do curso básico de empreendedorismo, o qual oferecemos por meio de nossa Academia de Microfinanças, gratuitamente, em algumas de nossas unidades”, explica o presidente do Conselho de Administração do São Paulo Confia, Hugo Duarte.

Segundo Duarte, a procura pelos cursos tem sido grande, o que levou o banco a instalar salas de aula, também, em subprefeituras, além de fazer convênios com escolas para ampliar a oferta de vagas, de acordo com a necessidade. “Desde janeiro, já capacitamos cerca de 550 microempreendedores na cidade de São Paulo”, destaca.

O curso está dividido em quatro módulos de três horas cada um, totalizando 12 horas distribuídas em quatro dias. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas em qualquer uma das 24 unidades do São Paulo Confia (www.saopauloconfia.org.br). Para participar, o interessado precisa ser maior de 18 anos e querer iniciar um negócio ou já ser um microempreendedor. Os alunos que concluírem o curso receberão certificado da Academia de Microfinanças do São Paulo Confia e um kit do Sebrae.

Os cursos acontecem nos períodos da manhã (das 9h às 12h) e da tarde (das 14h às 17h), nas seguintes unidades do São Paulo Confia:

• Zona Norte: Unidade Brasilândia

Av. Dep. Cantídio Sampaio, 623

• Zona Sul: Unidade Interlagos

Av. Interlagos, 6122

• Zona Oeste: Unidade Butantã

Rua Desembargador Homero Pinto, 105

• Zona Leste: Unidade Itaim Paulista

Rua Celso Barbosa Lima, 333

• Centro: Sede Administrativa

Av. Brig. Luís Antonio, 277 – 2º andar

Fonte: http://www.incorporativa.com.br/mostranews.php?id=7835

Bookmark and Share

Experiência fracassada no microcrédito vai ser repetida em todo o país

Há tempos venho analisando as experiências de microcrédito no Brasil e feito comentários acerca delas tanto aqui pelo blog, quanto no período em que atuei como membro da equipe do PNMPO ou em reuniões e pareceres, como os que elaborei na qualidade de consultor PNUD para estudar a operação do microcrédito da Caixa e sugerir perspectivas de atuação para o banco público.

Apesar disso, sou sempre forçado a verificar que há uma resistência gigantesca dentro do governo, obviamente orientada pela ação dos bancos públicos e de certos agentes no Ministério da Fazenda, que insistem em priorizar aos bancos oficiais e agentes de governo como atores preferenciais na política de difusão do microcrédito. Este é um erro imenso, várias vezes comprovado, como na experiência do Banco Popular do Brasil, criado em 2003, que resultou não apenas em fracasso operacional mas também em prejuízo financeiro.

A operação de microcrédito da Caixa, que se iniciou em 1997, jamais deslanchou, mas em que isso importa se a cada vez eles se arvoram afirmar como sabedores dos caminhos a serem seguidos?

Para quem possui esse nível de presunção, 15 anos de erros e de resultados pífios nada significam.

Pensam: qual o problema de continuar errando?

Abaixo, transcrevo mais uma matéria ufanista, em que uma experiência fracassada é apresentada como sucesso. Durante um ano inteiro, realizaram apenas 30 operações de microcrédito, duas e meia por mês, com valores médios próximos de R$ 4,7 mil, e promovem um curso com mais de 35 participantes para difundir o modelo pelo país!

É impressionante o grau de miopia embutido nesse tipo de interpretação.

Insistem em que os juros subsidiados serão o motivo de atração dos microempreendedores e não são capazes de enxergar um palmo diante do nariz.

Como já afirmei outras vezes, o governo federal continua errando no microcrédito, o programa Crescer foi desenhado de modo completamente equivocado.

Mas, não adianta. Quanto mais vezes dissermos que estão equivocados, mais terão o displante de divulgar experiências fracassadas como modelo.

Lamentável.

Metodologia para microcrédito, aplicada no PR, é repassada pela Caixa para todo o Brasil

Depois de testar modelo de crédito produtivo no Estado, Sebrae/PR capacita colaboradores do banco sobre concessão de recursos financeiros para micro e pequenas empresas

Da Redação

Analistas da Caixa Econômica Federal de vários estados do Brasil participam, nesta semana, em Curitiba, de uma capacitação para ampliar , em todo o País, o Crescer – Programa de Microcrédito Produtivo Orientado, que concede crédito a juros mais baixos a empreendedores individuais e microempresas com faturamento anual de até R$ 120 mil.

Até o final de 2013, a meta do projeto do Governo Federal é atender 3,4 milhões de clientes. Enquadrado no Programa Nacional de Microcrédito Produtivo e Orientado do Ministério do Trabalho, o Crescer é uma linha de crédito para capital de giro e investimento fixo, que objetiva incentivar as atividades produtivas e a geração de emprego e renda.

Os 35 profissionais da Caixa passam por um treinamento com duração de 48 horas, ministrado na sede do Sebrae/PR em Curitiba, que aborda, entre outros tópicos, a filosofia e o conceito do microcrédito, concepção e realidade de pequenos negócios, modelo de concessão e de orientação de crédito, relacionamento interpessoal e papel do agente de crédito.

A decisão da Caixa em replicar o modelo, deve-se ao sucesso do projeto-piloto implantado no município de Chopinzinho, no sudoeste do Paraná, desde fevereiro de 2010. A metodologia alia concessão de crédito à assistência e orientação técnica no planejamento do negócio, além de oportunizar o relacionamento direto da instituição bancária com os empreendedores em suas localidades. O recurso é concedido após avaliações sobre a atividade e a capacidade de endividamento de cada cliente.

Flavio Locatelli Junior, coordenador estadual de Acesso a Serviços Financeiros do Sebrae/PR, explica que o objetivo da parceria entre o Sebrae/PR e a Caixa é a oferta de um serviço de crédito orientado para que os empreendedores e empresários acessem as opções mais adequadas às suas realidades.

“O grande mérito e diferencial do modelo é o método de levantamento socioeconômico ágil e simplificado. Os agentes de microcrédito irão visitar os negócios para repassar as orientações necessárias à realização dos projetos. Depois, acompanharão a aplicação dos recursos.”

A experiência em Chopinzinho serviu para consolidar a metodologia de concessão dos recursos financeiros. Durante a experiência-piloto, que durou aproximadamente um ano, o volume de empréstimos tomados pelos empreendedores e empresários de micro e pequenas empresas do município foi de aproximadamente R$ 140 mil, totalizando cerca de 30 operações financeiras, com valor médio de R$ 4.685,00 cada. O nível de inadimplência ficou em 0,60%, índice considerado bastante baixo.

Condições

A taxa de juros praticada pelo Crescer é 8% ao ano, abaixo das taxas atualmente praticadas para cessão de microcrédito, que chegam até a 60% ao ano, e Taxa de Abertura de Crédito (TAC) 1% sobre o valor financiado. O financiamento pode chegar a R$ 15 mil, com prazo de pagamento de até 24 meses.

De acordo com a Presidência da República, a carteira ativa do programa poderá alcançar R$ 3 bilhões e será operada inicialmente pela Caixa Econômica Federal (CEF), Banco do Brasil (BB) Banco do Nordeste (BNB) e Banco da Amazônia (Basa). Em 2012, a Caixa Econômica Federal divulgou que irá destinar R$ 345 milhões para empreendedores individuais, por meio do Programa.

Sobre o Sebrae/PR

O Sebrae/PR – Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado do Paraná é uma instituição sem fins lucrativos que foi criada para dar apoio aos empresários de pequenos negócios e aos empreendedores interessados em abrir micro e pequenas empresas. No Brasil, são 27 unidades e 750 postos de atendimentos espalhados de norte a sul. No Paraná, cinco regionais e 11 escritórios. A entidade chega aos 399 municípios do Estado por meio do atendimento itinerante, pontos de atendimento e de parceiros como associações, sindicatos, cooperativas, órgãos públicos e privados. O Sebrae/PR oferece palestras, capacitações empresariais, treinamentos, projetos, programas e soluções empresariais, com foco no empreendedorismo, setores estratégicos, políticas públicas, tecnologia e inovação, orientação ao crédito, acesso ao mercado, internacionalização, redes de cooperação e programas de lideranças.

Informações para a imprensa:
Savannah Ações em Comunicação – empresa licitada do Sebrae/PR
Jaqueline Gluck (41) 3035-5669 ou (41) 9602-7541
Assessoria de Imprensa Sebrae/PR – Regional Centro-Sul: Cleide de Paula
(41) 8814-1046 / 3035-5669 [email protected]
Leandro Donatti – Jornalista do Sebrae/PR – (41) 3330-5895 ou (41) 9962-1754

Fonte: http://www.pr.agenciasebrae.com.br/noticia.kmf?canal=726&cod=13168791

Bookmark and Share

Banco da Família realizou Convenção do Microcrédito

BANCO DA FAMÍLIA REALIZOU CONVENÇÃO DO MICROCRÉDITO
Publicado em segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012 por Loreno

Aconteceu na Pousada Rural do SESC, no último final de semana (dias 25 e 26 de fevereiro), a 4ª. Convenção do Microcrédito do Banco da Família.

Realizada uma vez por ano, o tema da convenção de 2012 foi: “Eu desenvolvendo talentos”. De acordo com a presidente da instituição, Isabel Baggio, “é um momento de parada para aprendizado, discussões, revisão de comportamentos e atitudes, confraternização, estabelecimento de novos propósitos e metas, enfim, de recarregar baterias para os desafios que o Banco da Família se propôs realizar até o final deste ano”, disse.

Dra. Desirée: “86% das demissões no Brasil ocorrem por problemas comportamentais”

Após a abertura do evento, no sábado, um dos assuntos trabalhados foi “Como eu faço a diferença”. Quem trabalhou este tema foi a psicóloga e comunicadora social Desirée de Souza Fréscia, professora da UFSC. Em sua explanação, ela informou que 86% das demissões que ocorrem no Brasil devem-se não a falta de conhecimento, desempenho profissional ou habilidades das pessoas. “Mas sim a atitudes comportamentais”, disse. “Ou seja, cada vez mais temos de exercitar e aumentar nossa inteligência emocional”, falou.

Rita Cardoso, superintendente do Banco da Família, informou que durante os dois dias seriam trabalhados diversos temas com o grupo de colaboradores, tais como: saúde, meio ambiente, comunicação, gestão de rotinas e de equipe, planejamento e atendimento. “Serão dois dias muito importantes para melhorar o entrosamento entre a equipe, ampliar habilidades e promover novos conhecimentos”, falou.

Loreno Siega – Assessoria de Imprensa do Banco da Família

Fonte: http://blog.ozoide.com.br/?p=9440

Bookmark and Share
Get Adobe Flash player