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O movimento dos bancos éticos

Banco ético: uma alternativa às finanças predatórias

O movimento dos bancos éticos ainda ocupa um espaço pouco expressivo no conjunto do sistema financeiro. No entanto, em razão da crise dos últimos anos, esse modelo alternativo (a grande maioria no espaço europeu) tem logrado conquistar um crescimento importante em seus nichos de atuação.

Paulo Kliass

A crise por que passa o sistema financeiro internacional parece longe de ver seu fim. A partir do recrudescimento do cenário norte-americano em 2008, os efeitos negativos das dificuldades enfrentadas pelos bancos naquele país terminaram por evidenciar as reais características do fenômeno da globalização. O “financês” acaba por incorporar as expressões das ciências biológicas e da saúde, e passa a utilizar a imagem da “contaminação dos mercados”. Além da quebradeira em série de bancos nos Estados Unidos, a crise atravessou o Atlântico e aprofundou-se no espaço da União Européia. E sempre tendo como principais personagens – os detonadores da crise – os bancos e demais instituições financeiras.

Mas, como não poderia deixar de ocorrer, mesmo os países que não estavam completamente atrelados às dificuldades daquelas instituições financeiras, passam a sofrer em sua economia real. O ritmo de crescimento dos países em desenvolvimento é reduzido em função da queda na demanda dos países mais ricos. Além disso, os efeitos da injeção de vários trilhões de dólares e euros no mercado internacional apresentam sua fatura em termos da nova face da “guerra cambial” que se estabeleceu a partir dos últimos meses.

Esse quadro só faz piorar a imagem do sistema financeiro perante os governos, as instituições sociais, as universidades, as empresas do setor produtivo, o movimento sindical, o mundo da agricultura e a opinião pública em seu conjunto. Apesar de sabermos que a crise se caracteriza como elemento inerente e intrínseco à própria dinâmica do sistema capitalista, o fato é que o sistema financeiro passa a ser identificado como o grande vilão de todo esse processo de destruição de valor, de emprego e de renda.

Bancos bons e bancos éticos
Em artigo anterior (“Ainda há espaço para bancos bons”) procurei tratar desse aspecto, levantando a hipótese de que haveria ainda espaço para aquilo que chamei de “bancos bons”. Ou seja, a reafirmação de uma evidência da modernização dos sistemas econômicos: a necessidade de que algum tipo de instituição cumpra com a função original desempenhada pelos bancos em nossa sociedade. Refiro-me aqui ao fato de recolher os recursos que não seriam destinados ao consumo por parcela dos agentes econômicos (governo, empresas e famílias) e colocá-los à disposição de outros atores que necessitem de recursos para empréstimo. Naquele texto, eu chamava a atenção para 2 tipos de instituições que poderiam ocupar tal espaço, sem necessariamente provocar os desastres que o sistema havia provocado de forma consciente. Tratava-se dos bancos públicos e das cooperativas de crédito.

No entanto, há outras formas de organização que começam a ganhar espaço em vários países nos tempos de hoje, inclusive em razão da mais completa falta de credibilidade que assola o sistema financeiro tradicional. Um movimento significativo é o dos chamados “bancos éticos”. São diversas formas de associação e organização em torno da figura da instituição bancária, mas com princípios e ações completamente distintas daquilo que o nosso ideário pode imaginar como um banco – em função da prática predatória e irresponsável que tem caracterizado a grande maioria das empresas desse tipo no mundo.

Como se pode imaginar, o movimento dos bancos éticos ainda ocupa um espaço pouco expressivo no conjunto do sistema financeiro. Seja em termos de número de bancos, número de clientes, volume de negócios ou outras variáveis quantitativas. No entanto, em razão da crise dos últimos anos, esse modelo alternativo tem logrado conquistar um crescimento importante em seus nichos de atuação. A grande maioria ainda se localiza no espaço europeu, com presença que se expande para os países da América do Norte e mesmo alguns países fora de fora desse eixo. Porém, o interessante é que boa parte dos empréstimos e aplicações de tais instituições se destina a projetos implantados em países do dito mundo subdesenvolvido.

Bancos éticos: princípios e ações

De acordo com a “Federação Européia de Finanças e de Bancos Éticos e Alternativos”, seus integrantes devem obedecer a alguns elementos básicos constantes na Carta de Princípios da entidade. E trais itens servem como síntese das preocupações que norteiam a maior parte dos bancos dessa nova geração do espaço financeiro. Assim, entre outras obrigações, os bancos éticos e alternativos devem:

“a) se engajar para:
- colocar a economia a serviço do ser humano;
- contribuir para a solidariedade, para a coesão social e o desenvolvimento sustentável;
- recusar a busca exclusiva da rentabilidade financeira;
- favorecer a criação de iniciativas inovadoras do ponto de vista social e ambiental.

b) dispor de uma autonomia de decisão em relação a toda e qualquer organização ou empresa externa.

c) financiar as iniciativas econômicas perseguindo, especialmente, os seguintes objetivos:
- a criação de empregos, em especial de empregos de natureza social;
- o desenvolvimento sustentável (energias renováveis, agricultura biológica e biodiversidade);
- a solidariedade internacional e o comércio internacional justo.

d) oferecer uma informação transparente e completa sobre seu funcionamento interno, sobre o recolhimento da poupança e sobre a utilização de tais recursos.”

Os principais bancos, com esse novo tipo de preocupação, estão presentes em países que acumularam uma experiência e um conhecimento na área econômica, social e financeira, o que tem permitido algum grau de adesão a seu projeto. Nos países escandinavos temos, por exemplo, o Cultura Bank (Noruega) o Merkurbank (Dinamarca) e o Ekobanken (Suécia). Na Suíça o mais importante é o Alternative Bank Schweiz. Na Itália, surge o Banca Etica e o Etimos. Há ainda bancos desse gênero na Alemanha, na Bélgica, na Espanha, na Eslováquia, na Inglaterra, entre outros.

Além disso, uma parcela expressiva desse tipo de iniciativa se baseia em preocupações com o micro-empreendedorismo e o micro-crédito, além de apoio a projetos voltados à geração de emprego decente, de preservação do meio-ambiente e de estímulos às atividades culturais e educacionais. Está sempre presente também a marca da transparência em suas atividades e informações negociais.

O exemplo de maior sucesso até o momento parece ser o do Triodos Bank. A iniciativa começou na década de 1980 na Holanda e pouco a pouco foi ampliando seu espaço de ação para outros países europeus. Em 2011, esse banco contava com 355 mil clientes, um crescimento de 24% sobre o ano anterior. Seus ativos totais registravam o equivalente a US$ 9 bilhões, correspondendo a uma elevação de 23% sobre 2010. Seus lucros foram de US$ 22 milhões, um aumento de 51% sobre o exercício anterior. Apesar das boas taxas de crescimento, os valores são ainda poucos expressivos quando comparados com os bancos tradicionais da realidade econômica européia.

Os desafios para a sua implantação

O grande desafio para a ampliação de tais números é de ordem cultural, política e econômica. A participação percentual em relação ao conjunto do mercado financeiro ainda é irrisória. E isso reflete a situação de toda a rede dos bancos éticos do planeta. O desafio cultural mais relevante é convencer a população a tornar-se cliente de um banco que não promete nenhum “milagre de multiplicação dos pães”. Via de regra, a informação é límpida. O banco confirma que oferece rentabilidade menor do que a maioria dos bancos tradicionais, uma vez que não corre risco emprestando para atividades ilegais, empresas suspeitas ou projetos danosos ao meio ambiente, às populações ou aos trabalhadores. Empresta para projetos de longa maturação e que oferecem baixa rentabilidade relativa, exatamente pela preocupação social ambiental ou de comércio justo.

O desafio de natureza política é justamente o engajamento de seus clientes com os projetos nos quais o banco realiza seus empréstimos. Assim, é razoável supor que, para tornarem-se clientes da instituição, os indivíduos devam ter algum grau de informação e consciência a respeito das verdadeiras causas da crise internacional e das possíveis soluções a longo prazo. Depositar seus recursos em um banco ético é, de certa forma, um ato de compromisso político com uma visão bem distinta daquelas divulgadas pelos grandes órgãos de comunicação, a respeito do fenômeno econômico e social em nosso mundo.

O desafio de ordem econômica é conseguir maior penetração no mercado financeiro e atrair os clientes dos tradicionais para uma opção alternativa. Parece claro que a crise contribui, de certa maneira, para que a população em geral fique cada vez mais desconfiada do sistema financeiro tradicional. No entanto, tal postura não significa que qualquer outra opção seja considerada atraente – aí incluída a do banco ético. A falta de credibilidade atual vale para o conjunto das instituições financeiras, independente de seu discurso e por melhores que sejam suas intenções. Até porque as estratégias de marketing tentam vender imagens “bonitinhas e avançadas” de instituições que todos sabemos serem bastante nefastas e perigosas para a sociedade e para o planeta. Assim, o trabalho para consolidação de uma alternativa aos bancos tradicionais é lento.

A realidade brasileira parece estar um tanto distante de um grau razoável de aceitação de bancos éticos. A experiência das últimas décadas, em que a tendência à financeirização da sociedade foi a grande marca, tornou a maioria das pessoas e das organizações reféns da exigência de elevada rentabilidade nas atividades econômicas. Estamos todos intoxicados e quimicamente dependentes das elevadas taxas de juros. O processo de libertação desse vício é lento e comporta elementos também da esfera cultural e comportamental.

No entanto, um bom exemplo deveria justamente surgir do Estado e de suas instituições. É necessário que as autoridades econômicas cumpram também com seu papel pedagógico para as atuais e futuras gerações, abrindo horizontes para uma sociedade menos voltada para a ganância financeira pura e simples. Os bancos públicos deveriam atuar nessa linha e forçar os concorrentes do setor privado a trilhar o mesmo caminho. Os fundos de pensão deveriam redefinir seus padrões de exigência de aplicações e rentabilidade – afinal seus ativos pertencem aos trabalhadores e não deveriam espelhar uma ação tão predatória quanto aquela do capital especulativo privado.

Por mais utópico que possa parecer, vejam que não se trata nem de uma pretensão de mudar, no curto prazo, o comportamento das corporações do mercado privado. Aqui estão listadas apenas as instituições de natureza pública e semi-sindical, que poderiam conviver sem problemas com a mentalidade e os princípios dos bancos éticos. Como sempre, os grandes obstáculos estão na dimensão da política. E imaginava-se que os primeiros passos para as transformações mais profundas e necessárias viriam dessa esfera, quando houve a mudança eleitoral em 2002. Triste ilusão.

Paulo Kliass é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10.

Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=5526

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Cresce a rede de bancos comunitários no Centro Oeste

Leonora Moll, que conheci pessoalmente no período em que integrei a Comissão Organizadora da Primeira Conferência Nacional de Economia Solidária, em 2006, esteve, poucos dias atrás, viajando pelo Mato Grosso, para assessorar um rico processo que está ocorrendo para a dinamização e o crescimento das experiências dos bancos comunitários, pelo país, como parte da estratégia de fortalecimento do movimento de finanças solidárias da SENAES – Secretaria Nacional de Economia Solidária.

Tive uma conversa com ela sobre esse trabalho e ela, graciosamente, presenteia-nos no blog com um relato sintético acerca das atividades que estão sendo desenvolvidas e que motivaram sua viagem.

Compartilho com todos, agradecendo à Leonora por sua dedicação a este trabalho e por sua gentileza em preparar o relato.

Estruturação de novos bancos comunitários no Centro Oeste

Foi iniciado por meio de um projeto de apoio às Finanças Solidárias do Ministério do Trabalho e Emprego/SENAES- Secretaria Nacional da Economia Solidária, o processo de estruturação de 09 bancos comunitários de desenvolvimento e o fortalecimento de 01 banco já existente na região Centro Oeste, no fim do ano de 2011.

A entidade executora do projeto Associação Ateliê de Idéias, ONG gestora do Banco Bem no Espírito Santo, em parceria com o NESOL- Núcleo de Economia Solidária –SP deram inicio ao processo, fortalecendo o Banco Pirê, primeiro banco comunitário do Centro Oeste, na cidade de Dourados-MS, inaugurado em 2006 e estruturando outros 9 bancos, dos quais alguns já tiveram seus nomes definidos pela comunidade e outros ainda não:

1- Banco Cerrado- Rondonópolis- MT
2- Banco Aroeira – Cuiabá – MT
3- Banco ITA – Assentamento Itamarati- Ponta Porã- MS
4- Banco Pantanal- Anastácio/Aquidauana- MS
5- Banco Estrutural- Cidade Estrutural – DF
6- Novo banco em Iporá – Goiás
7- Novo banco em Aparecida de Goiânia – Goiás
8- Novo banco na região de Itapoã- DF
9 – E mais uma comunidade que ainda será mobilizada.

A mobilização de comunidades que buscam o desenvolvimento dos seus territórios é o ponto fundamental para a estruturação dos bancos.

Agentes de crédito e de desenvolvimento dos bancos do Centro Oeste contratados pelo projeto (todos moradores das próprias comunidades), mais representantes de entidades gestoras dos bancos comunitários e técnicos do Ateliê de Idéias, de 13 a 16 de março, em Rondonópolis, para uma formação sobre gestão de carteira de crédito em finanças de proximidade, e para um momento especial: Comemorar a inauguração do Banco Cerrado.

A inauguração aconteceu no dia 16 de março, na sede da Associação Dando as Mãos – entidade gestora do Banco Cerrado. Foi um momento de emoção para os presentes com a presença dos assentamentos que serão beneficiados por este novo banco, de autoridades, da Igreja Católica e da imprensa local.

Inauguração Banco Cerrado

Inauguração Banco Cerrado

O Banco Cerrado terá uma moeda própria, o Bacuri, que irá contribuir com a circulação da riqueza local, junto com o oferecimento de crédito produtivo para fortalecer a produção de alimentos da agricultura familiar nos assentamentos do entorno de Rondonópolis e para o desenvolvimento local.

É a economia sendo pensada pelo viés da sustentabilidade do território.

II Encontro de Bancos Comunitários

II Encontro de Bancos Comunitários

Inauguração do Banco Cerrado - 2

Inauguração do Banco Cerrado - 2

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Banco da Família realizou Convenção do Microcrédito

BANCO DA FAMÍLIA REALIZOU CONVENÇÃO DO MICROCRÉDITO
Publicado em segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012 por Loreno

Aconteceu na Pousada Rural do SESC, no último final de semana (dias 25 e 26 de fevereiro), a 4ª. Convenção do Microcrédito do Banco da Família.

Realizada uma vez por ano, o tema da convenção de 2012 foi: “Eu desenvolvendo talentos”. De acordo com a presidente da instituição, Isabel Baggio, “é um momento de parada para aprendizado, discussões, revisão de comportamentos e atitudes, confraternização, estabelecimento de novos propósitos e metas, enfim, de recarregar baterias para os desafios que o Banco da Família se propôs realizar até o final deste ano”, disse.

Dra. Desirée: “86% das demissões no Brasil ocorrem por problemas comportamentais”

Após a abertura do evento, no sábado, um dos assuntos trabalhados foi “Como eu faço a diferença”. Quem trabalhou este tema foi a psicóloga e comunicadora social Desirée de Souza Fréscia, professora da UFSC. Em sua explanação, ela informou que 86% das demissões que ocorrem no Brasil devem-se não a falta de conhecimento, desempenho profissional ou habilidades das pessoas. “Mas sim a atitudes comportamentais”, disse. “Ou seja, cada vez mais temos de exercitar e aumentar nossa inteligência emocional”, falou.

Rita Cardoso, superintendente do Banco da Família, informou que durante os dois dias seriam trabalhados diversos temas com o grupo de colaboradores, tais como: saúde, meio ambiente, comunicação, gestão de rotinas e de equipe, planejamento e atendimento. “Serão dois dias muito importantes para melhorar o entrosamento entre a equipe, ampliar habilidades e promover novos conhecimentos”, falou.

Loreno Siega – Assessoria de Imprensa do Banco da Família

Fonte: http://blog.ozoide.com.br/?p=9440

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520 mil dólares para o microcrédito em favor das vítimas do terremoto no Haiti

A Campanha da Família Vicentina arracada mais de 500 mil dólares para ajudar os Haitianos.

Escrito por Joelson Sotem

Qui, 16 de Fevereiro de 2012 13:00

O ano de 2012 promete ser um ano de muitas realizações para as 350 famílias haitianas que acabam de incorporar-se a CLM (Chemen Lavi Miyó) – que significa “Caminho para uma vida melhor”. Trata-se de um programa de erradicação da pobreza. A Família Vicentina arrecadou até a presente data U$ 520 mil dólares. Esta quantia permitirá a mais de duas mil pessoas a começar um novo ano com ares renovados.

No ano passado, por ocasião da festa de São Vicente de Paulo, teve continuidade a iniciativa de arrecadação de fundos nos ramos da Família Vicentina com os parceiros Fonkoze (Banco alternativo para os Pobres do Haiti que gerencia o programa CLM) e Zafén (Entidade que proporciona microcréditos para empreendedores e projetos sociais) e o Haitian Hometown Associations Resource Group. A campanha publicada no site zafen.org teve uma duração de três meses.

O objetivo desta campanha consistia em arrecadar U$ 100 mil dólares em doações realizadas pela internet. A “Franz Foundation” se comprometeu a depositar a mesma quantia arrecada até o máximo de 100 mil dólares. “No começo não fazíamos ideia se pedir quantia tão grande pela internet seria viável ou não, já que até então a maior quantia arrecada numa campanha similar havia sido em torno de U$ 30 mil dólares, porém decidimos tentar”, afirmou o Pe. Robert Maloney, da Congregação da Missão e até então presidente do Conselho da Família Vicentina para o Haiti.

O Pe. Joseph Agostino, também padre da Congregação da Missão, assumiu a presidência deste Conselho no final de janeiro deste ano.

Entre os inúmeros doadores que contribuíram para esta campanha, cabe destacar aqui o papel dos ramos internacionais da Família Vicentina por sua “assombrosa generosidade”, nas palavras do Pe. Maloney. No dia de Natal, as doações realizadas através da internet atingiram o patamar dos U$ 100 mil dólares.

“Esta é, sem dúvida, a maior campanha complementar realizada através da Zafén, de modo que estamos encantados”, afirmou o Pe. Robert Maloney.

Enquanto isso nos Estados Unidos, os padres e irmãos vicentinos ocuparam-se em gerenciar outra campanha complementar ofertada pela “Franz Foundation” e a Província do Oeste dos Estados Unidos, através de doações feitas por outros meios sem ser a internet. No final de dezembro tais doações atingiram também os U$ 100 mil dólares, que graças a parceria da Franz Foundation se converteu em U$ 200 mil dólares.

Desde então continuaram chegando outras doações até a data de 31 de janeiro de 2012, onde havia sido arrecadado um pouco mais de U$ 520 mil dólares para o CLM. O objetivo é colocar esta quantia nas mãos dos haitianos que vivem às margens da sociedade e ajudar-lhes, servindo aos Pobres como fizeram Vicente de Paulo e Luísa de Marillac na França do século XVII.

“Conheci o projeto CLM durante uma viagem ao Haiti e me pareceu uma das obras mais impressionantes que já se viu neste país”, afirma o Pe. Maloney.

As famílias escolhidas para o programa estão compostas na sua maioria por mulheres com vários filhos, que padecem subnutrição e não frequentam escolas. Tratam-se de famílias que não tem nenhum tipo de receita e nem acesso a profissionais que os ajudem no saneamento básico.

Quando uma família se compromete a seguir o projeto CLM, cuja duração está prevista para 18 meses, recebe o material de construção necessário para construir uma casa de alvenaria, assim como um banheiro separado da casa e que atenda aos padrões de saneamento básico. Também recebe um filtro de água, atendimento gratuito para o saneamento básico e visitas regulares semanais de um gestor do programa que reforça os conhecimentos adquiridos e lhes ajuda a continuarem avançando no caminho da prosperidade. Deste modo, as crianças poderão frequentar a escola (para muitos pela primeira vez em sua vida) e sua mãe poderá optar por distintas formas de ganhar a vida, seja na agricultura ou formando uma microempresa. Durante este processo a mãe aprenderá trabalhos manuais que lhes serão úteis ao longo de sua vida e reforçarão sua confiança na capacidade para tirar sua família da pobreza e superar as inevitáveis dificuldades que possam aparecer.

Ao final do programa, um ano e meio depois, a mãe e seus filhos estarão bem nutridos, terão assegurado o sustento e uma casa para abrigarem-se. A mãe terá formação profissional capaz de gerar renda e a família terá recursos mensais em torno de U$ 150 dólares. O último critério para determinar o êxito do programa consiste em perguntar para a mãe se ela acredita que poderá manter-se neste caminho e desfrutar de uma situação economicamente estável no futuro. O índice de sucesso e êxito do programa é de 96%.

Sobre o Zafén

Zafén que significa: “É o que nos interessa”, no linguajar haitiano, foi desenvolvido nos 350 anos da morte de Vicente e Luísa de Marillac, como proposta de mudança de estruturas para a redução da pobreza. Foi projetada para estimular a colaboração entre os empresários do Haití, os haitianos que moram fora do país e outros interessados em apoiar a economia haitiana. Tem um critério exclusivo porque a partir do empréstimo ou doação os negócios devem demonstrar um impacto antecipado na comunidade local, mediante contratação de mais empregados, respeito ao meio ambiente e outras medidas. Zafén foi fundada pela Família Vicentina Internacional, a Universidade DePaul, Fonkoze (o banco alternativo do Haiti para os Pobres organizados) e o Haitian Hometown Associations Resource Group.

Fonte: Pe. Joseph Agostino, CM – Presidente do Conselho da Família Vicentina para o Haiti.

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I Seminário FGV de Microcrédito e Negócios Sociais

No dia 8 de dezembro foi realizado o I seminário FGV de microcrédito e negócios sociais organizado pelo laboratório de assessoria jurídica para novos negócios da faculdade de direito da Fundação Getúlio Vargas – LAJUNN, no Rio de Janeiro.

O LAJUNN é integrado por alunos do Direito, Administração e Economia sob a supervisão de professor da faculdade de direito. Com três anos de funcionamento confere assistência legal e econômica a empreendedores egressos do sistema prisional originários da Incubadora da ONG, CISC – segunda chance . Percebendo a importância do tema do crédito enquanto forte instrumento de inclusão social, foram iniciados estudos dentro do laboratório sobre os modelos atuais de instituições de microcrédito públicas e privadas, legislação , viabilidade econômica , gestão das instituições, além do papel do estado e políticas públicas voltadas ao setor.

Como um desdobramento das discussões travadas ao longo do ano de 2011 entre professores e alunos no laboratório, o seminário surgiu, contribuindo para o esclarecimento de diversos aspectos do modelo brasileiro de microcrédito. Tivemos o prazer de discutir com os maiores especialistas do tema no país durante a manhã e pela tarde ouvir depoimentos de empreendedores e seus negócios voltados a setores variados.

Pela manhã, nos dois painéis de discussão sobre microcrédito, estiveram presentes : Dr. Francisco Menezes, Diretor do Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado PNMPO-MTE , Sr. Guilherme Montoro da Diretoria de Inclusão Social do BNDES, Sra. Adriene Marins, Vice Presidente do Banco Pérola, Sr. Jeronimo Ramos, Diretor de Microcrédito do Banco Santander, Dra. Marina Procknor advogada do escritório Mattos Filho, Sr. Erik Oliveira, Gerente de Microcrédito do Banco do Nordeste/CREDIAMIGO, além do Sr. Rubens Andrade, Diretor da Associação de Sociedades de Crédito ao Microempreendedor e Empresas de Pequeno Porte.

Os principais pontos debatidos na parte da manhã foram:
a importância da formação de agentes de crédito como condição para o dinamismo do instrumento, uma vez que os tomadores dos empréstimos dão maior valor a flexibilidade do sistema quanto a formas de pagamento, adequação a seus negócios e orientação, do que juros mais benéficos;
papel do Estado enquanto propulsor do microcrédito, tendo como centro do debate o Programa Crescer. Motivados por questionamentos da audiência, os debatedores falaram sobre seus receios em relação a perda de competitividade das instituições privadas de microcrédito em relação as públicas, em decorrência do programa. Foi destacado o caso de OSCIPs como o Banco Pérola, que encontram obstáculos na obtenção de repasses por instituições maiores como o BNDES;
o representante do BNDES destacou a tradição e o papel crescente do banco no que tange ao setor do microcrédito, assumindo a dificuldade da instituição em realizar repasses a determinadas instituições de microcrédito como OSCIPS. Segundo Guilherme, a estrutura de empréstimos no Banco é voltada, tradicionalmente, à projetos e empresas de grande porte o que dificulta a adaptação a nova clientela. No entanto, o Banco está se preparando para concessão de empréstimos a redes de instituições de microfinanças, visando capacitação para a obtenção dos financiamentos, mantendo em paralelo os repasses as instituições financeiras com sistemas adequados para a concessão do microcrédito ao público;
A vice presidente do Banco Pérola, palestrante Sra. Adriene e a Presidente do banco Sra. Alessandra, que encontrava-se na plateia, aproveitaram a oportunidade para discutir com o Sr. Rubens da ASCM sobre os benefícios da transformação do Banco Pérola, hoje uma OSCIP, em uma Sociedade de Crédito ao Microempreendedor. Foram ressaltados os aspectos legais, tributários e econômicos da referida conversão, constatando-se que o tema é merecedor de maior aprofundamento e o laboratório LAJUNN da FGV dará prosseguimento a estudos sobre a temática;
Os representantes Sr. Jeronimo do Santander e Erik do Crediamigo participaram de todo o debate, contribuindo para a demonstração do sistema aplicado na prática. Na plateia encontravam-se moradores do Complexo do Alemão , Complexo da Maré , baixada fluminense e zona oeste, que efetuaram questionamentos específicos sobre seus casos e terão assistência de ambas instituições dependendo da região, com a participação dos alunos do laboratório;
Finalmente, tivemos a oportunidade de ouvir a Dra. Marina Procknor advogada do escritório Mattos Filho, que após estágio em Bangladesh e contatos diretos com o economista criador do microcrédito no mundo, Mohamed Yunus , é a encarregada da regularização da entrada do Banco Grameen no Brasil. Apontou as diferenças culturais, legais e sociais dos países asiáticos em relação ao Brasil que influenciam nas especificidades do modelo brasileiro, em relação ao indiano e de Bangladesh. Ratificou a intenção de Yunus em permanecer atendendo a base da pirâmide, o que significa para todos nós o grande desafio. Alertou ainda, sobre a rigidez da regulação financeira no Brasil, nos remetendo ao desafio de criar um modelo legal de negócio social adequado as especificidades do pais, desafio este que deverá ser enfrentado pelo LAJUNN na FGV.

Durante a tarde, tivemos os emocionantes depoimentos de Ronaldo Monteiro da diretoria do CISC – segunda chance, ONG destinada a reinserção de egressos do sistema prisional pela via do empreendedorismo, sendo ele mesmo um egresso. Rodrigo Baggio do CDI, com seu ânimo e idealismo que movem as montanhas do conformismo, além de Tatiana Leite, da benfeitoria.com, que nos apresentou o funcionamento do seu crowdfunding, Veronica Marques do Fundo Social Elas e Paula Martini sócia diretora da Martinica Digital. Tatiana e Paula tiveram seus negócios encubados pela incubadora da Secretaria de Cultura da Prefeitura do Rio de Janeiro, Rio criativo, cujo diretor Leo Feijó, fez relato sobre o trabalho impressionante que vem realizando nos últimos meses na secretaria.

O seminário se desenvolveu em clima de amizade e cordialidade no estilo carioca, quando contatos e negócios sociais foram ali germinados. Percebia-se claramente o empenho de todos, desde os empreendedores, especialistas, representantes do governo, alunos e curiosos sobre o tema, em fazer das próximas décadas um tempo de formação de elos , quebra de paradigmas aproximando o capitalismo de seus fundamentos iniciais, geração de riqueza para todos.

Silvia Pinheiro, advogada e
Professora Supervisora da Clínica Laboratório de Assessoria Jurídica para Novos Negócios, LAJUNN – FGV Rio.

Rio, 12 de dezembro de 2011.

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Blog do Microcrédito presta serviço de mensagens SMS aos empreendedores

Melhorar os serviços oferecidos pelos empreendedores populares aos seus clientes é um dos maiores desafios aos quais se prestam as organizações de microcrédito. É por isso que ela financiam capital de giro ou recursos para investimento produtivo.

O Blog do Microcrédito participa deste esforço também.

Nossa iniciativa mais recente foi preparar um pacote de serviços de mensagens SMS que os empreendedores podem enviar aos seus clientes, na forma de “mala direta por mensagens SMS”, chegando diretamente aos celulares daqueles a quem os empreendedores pretendem oferecer seus produtos.

Este serviço pode ser usado para a oferta de uma promoção relâmpago, por exemplo. Ou para anúncios de descontos especiais em produtos já oferecidos aos clientes. Ou ainda, para convocar para algum evento que o empreendedor esteja participando ou promovendo.

Há uma pequena tarifa de adesão anual, que oscila entre 20 e 40 centavos por cliente cadastrado, a ser paga uma única vez no ano. E, depois, pequenas aquisições de créditos para serem remetidos aos mesmos clientes, cujos preços são tão pequenos quanto a variação entre 15 centavos e 22 no menor pacote.

Um excelente serviço aos empreendedores, como se vê.

Não deixe de aproveitar.

Basta visitar a página: Serviço ao Microempreendedor: SMS Sender e fazer sua adesão. Faça já!!!

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