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O movimento dos bancos éticos

Banco ético: uma alternativa às finanças predatórias

O movimento dos bancos éticos ainda ocupa um espaço pouco expressivo no conjunto do sistema financeiro. No entanto, em razão da crise dos últimos anos, esse modelo alternativo (a grande maioria no espaço europeu) tem logrado conquistar um crescimento importante em seus nichos de atuação.

Paulo Kliass

A crise por que passa o sistema financeiro internacional parece longe de ver seu fim. A partir do recrudescimento do cenário norte-americano em 2008, os efeitos negativos das dificuldades enfrentadas pelos bancos naquele país terminaram por evidenciar as reais características do fenômeno da globalização. O “financês” acaba por incorporar as expressões das ciências biológicas e da saúde, e passa a utilizar a imagem da “contaminação dos mercados”. Além da quebradeira em série de bancos nos Estados Unidos, a crise atravessou o Atlântico e aprofundou-se no espaço da União Européia. E sempre tendo como principais personagens – os detonadores da crise – os bancos e demais instituições financeiras.

Mas, como não poderia deixar de ocorrer, mesmo os países que não estavam completamente atrelados às dificuldades daquelas instituições financeiras, passam a sofrer em sua economia real. O ritmo de crescimento dos países em desenvolvimento é reduzido em função da queda na demanda dos países mais ricos. Além disso, os efeitos da injeção de vários trilhões de dólares e euros no mercado internacional apresentam sua fatura em termos da nova face da “guerra cambial” que se estabeleceu a partir dos últimos meses.

Esse quadro só faz piorar a imagem do sistema financeiro perante os governos, as instituições sociais, as universidades, as empresas do setor produtivo, o movimento sindical, o mundo da agricultura e a opinião pública em seu conjunto. Apesar de sabermos que a crise se caracteriza como elemento inerente e intrínseco à própria dinâmica do sistema capitalista, o fato é que o sistema financeiro passa a ser identificado como o grande vilão de todo esse processo de destruição de valor, de emprego e de renda.

Bancos bons e bancos éticos
Em artigo anterior (“Ainda há espaço para bancos bons”) procurei tratar desse aspecto, levantando a hipótese de que haveria ainda espaço para aquilo que chamei de “bancos bons”. Ou seja, a reafirmação de uma evidência da modernização dos sistemas econômicos: a necessidade de que algum tipo de instituição cumpra com a função original desempenhada pelos bancos em nossa sociedade. Refiro-me aqui ao fato de recolher os recursos que não seriam destinados ao consumo por parcela dos agentes econômicos (governo, empresas e famílias) e colocá-los à disposição de outros atores que necessitem de recursos para empréstimo. Naquele texto, eu chamava a atenção para 2 tipos de instituições que poderiam ocupar tal espaço, sem necessariamente provocar os desastres que o sistema havia provocado de forma consciente. Tratava-se dos bancos públicos e das cooperativas de crédito.

No entanto, há outras formas de organização que começam a ganhar espaço em vários países nos tempos de hoje, inclusive em razão da mais completa falta de credibilidade que assola o sistema financeiro tradicional. Um movimento significativo é o dos chamados “bancos éticos”. São diversas formas de associação e organização em torno da figura da instituição bancária, mas com princípios e ações completamente distintas daquilo que o nosso ideário pode imaginar como um banco – em função da prática predatória e irresponsável que tem caracterizado a grande maioria das empresas desse tipo no mundo.

Como se pode imaginar, o movimento dos bancos éticos ainda ocupa um espaço pouco expressivo no conjunto do sistema financeiro. Seja em termos de número de bancos, número de clientes, volume de negócios ou outras variáveis quantitativas. No entanto, em razão da crise dos últimos anos, esse modelo alternativo tem logrado conquistar um crescimento importante em seus nichos de atuação. A grande maioria ainda se localiza no espaço europeu, com presença que se expande para os países da América do Norte e mesmo alguns países fora de fora desse eixo. Porém, o interessante é que boa parte dos empréstimos e aplicações de tais instituições se destina a projetos implantados em países do dito mundo subdesenvolvido.

Bancos éticos: princípios e ações

De acordo com a “Federação Européia de Finanças e de Bancos Éticos e Alternativos”, seus integrantes devem obedecer a alguns elementos básicos constantes na Carta de Princípios da entidade. E trais itens servem como síntese das preocupações que norteiam a maior parte dos bancos dessa nova geração do espaço financeiro. Assim, entre outras obrigações, os bancos éticos e alternativos devem:

“a) se engajar para:
- colocar a economia a serviço do ser humano;
- contribuir para a solidariedade, para a coesão social e o desenvolvimento sustentável;
- recusar a busca exclusiva da rentabilidade financeira;
- favorecer a criação de iniciativas inovadoras do ponto de vista social e ambiental.

b) dispor de uma autonomia de decisão em relação a toda e qualquer organização ou empresa externa.

c) financiar as iniciativas econômicas perseguindo, especialmente, os seguintes objetivos:
- a criação de empregos, em especial de empregos de natureza social;
- o desenvolvimento sustentável (energias renováveis, agricultura biológica e biodiversidade);
- a solidariedade internacional e o comércio internacional justo.

d) oferecer uma informação transparente e completa sobre seu funcionamento interno, sobre o recolhimento da poupança e sobre a utilização de tais recursos.”

Os principais bancos, com esse novo tipo de preocupação, estão presentes em países que acumularam uma experiência e um conhecimento na área econômica, social e financeira, o que tem permitido algum grau de adesão a seu projeto. Nos países escandinavos temos, por exemplo, o Cultura Bank (Noruega) o Merkurbank (Dinamarca) e o Ekobanken (Suécia). Na Suíça o mais importante é o Alternative Bank Schweiz. Na Itália, surge o Banca Etica e o Etimos. Há ainda bancos desse gênero na Alemanha, na Bélgica, na Espanha, na Eslováquia, na Inglaterra, entre outros.

Além disso, uma parcela expressiva desse tipo de iniciativa se baseia em preocupações com o micro-empreendedorismo e o micro-crédito, além de apoio a projetos voltados à geração de emprego decente, de preservação do meio-ambiente e de estímulos às atividades culturais e educacionais. Está sempre presente também a marca da transparência em suas atividades e informações negociais.

O exemplo de maior sucesso até o momento parece ser o do Triodos Bank. A iniciativa começou na década de 1980 na Holanda e pouco a pouco foi ampliando seu espaço de ação para outros países europeus. Em 2011, esse banco contava com 355 mil clientes, um crescimento de 24% sobre o ano anterior. Seus ativos totais registravam o equivalente a US$ 9 bilhões, correspondendo a uma elevação de 23% sobre 2010. Seus lucros foram de US$ 22 milhões, um aumento de 51% sobre o exercício anterior. Apesar das boas taxas de crescimento, os valores são ainda poucos expressivos quando comparados com os bancos tradicionais da realidade econômica européia.

Os desafios para a sua implantação

O grande desafio para a ampliação de tais números é de ordem cultural, política e econômica. A participação percentual em relação ao conjunto do mercado financeiro ainda é irrisória. E isso reflete a situação de toda a rede dos bancos éticos do planeta. O desafio cultural mais relevante é convencer a população a tornar-se cliente de um banco que não promete nenhum “milagre de multiplicação dos pães”. Via de regra, a informação é límpida. O banco confirma que oferece rentabilidade menor do que a maioria dos bancos tradicionais, uma vez que não corre risco emprestando para atividades ilegais, empresas suspeitas ou projetos danosos ao meio ambiente, às populações ou aos trabalhadores. Empresta para projetos de longa maturação e que oferecem baixa rentabilidade relativa, exatamente pela preocupação social ambiental ou de comércio justo.

O desafio de natureza política é justamente o engajamento de seus clientes com os projetos nos quais o banco realiza seus empréstimos. Assim, é razoável supor que, para tornarem-se clientes da instituição, os indivíduos devam ter algum grau de informação e consciência a respeito das verdadeiras causas da crise internacional e das possíveis soluções a longo prazo. Depositar seus recursos em um banco ético é, de certa forma, um ato de compromisso político com uma visão bem distinta daquelas divulgadas pelos grandes órgãos de comunicação, a respeito do fenômeno econômico e social em nosso mundo.

O desafio de ordem econômica é conseguir maior penetração no mercado financeiro e atrair os clientes dos tradicionais para uma opção alternativa. Parece claro que a crise contribui, de certa maneira, para que a população em geral fique cada vez mais desconfiada do sistema financeiro tradicional. No entanto, tal postura não significa que qualquer outra opção seja considerada atraente – aí incluída a do banco ético. A falta de credibilidade atual vale para o conjunto das instituições financeiras, independente de seu discurso e por melhores que sejam suas intenções. Até porque as estratégias de marketing tentam vender imagens “bonitinhas e avançadas” de instituições que todos sabemos serem bastante nefastas e perigosas para a sociedade e para o planeta. Assim, o trabalho para consolidação de uma alternativa aos bancos tradicionais é lento.

A realidade brasileira parece estar um tanto distante de um grau razoável de aceitação de bancos éticos. A experiência das últimas décadas, em que a tendência à financeirização da sociedade foi a grande marca, tornou a maioria das pessoas e das organizações reféns da exigência de elevada rentabilidade nas atividades econômicas. Estamos todos intoxicados e quimicamente dependentes das elevadas taxas de juros. O processo de libertação desse vício é lento e comporta elementos também da esfera cultural e comportamental.

No entanto, um bom exemplo deveria justamente surgir do Estado e de suas instituições. É necessário que as autoridades econômicas cumpram também com seu papel pedagógico para as atuais e futuras gerações, abrindo horizontes para uma sociedade menos voltada para a ganância financeira pura e simples. Os bancos públicos deveriam atuar nessa linha e forçar os concorrentes do setor privado a trilhar o mesmo caminho. Os fundos de pensão deveriam redefinir seus padrões de exigência de aplicações e rentabilidade – afinal seus ativos pertencem aos trabalhadores e não deveriam espelhar uma ação tão predatória quanto aquela do capital especulativo privado.

Por mais utópico que possa parecer, vejam que não se trata nem de uma pretensão de mudar, no curto prazo, o comportamento das corporações do mercado privado. Aqui estão listadas apenas as instituições de natureza pública e semi-sindical, que poderiam conviver sem problemas com a mentalidade e os princípios dos bancos éticos. Como sempre, os grandes obstáculos estão na dimensão da política. E imaginava-se que os primeiros passos para as transformações mais profundas e necessárias viriam dessa esfera, quando houve a mudança eleitoral em 2002. Triste ilusão.

Paulo Kliass é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10.

Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=5526

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Banco da Família realizou Convenção do Microcrédito

BANCO DA FAMÍLIA REALIZOU CONVENÇÃO DO MICROCRÉDITO
Publicado em segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012 por Loreno

Aconteceu na Pousada Rural do SESC, no último final de semana (dias 25 e 26 de fevereiro), a 4ª. Convenção do Microcrédito do Banco da Família.

Realizada uma vez por ano, o tema da convenção de 2012 foi: “Eu desenvolvendo talentos”. De acordo com a presidente da instituição, Isabel Baggio, “é um momento de parada para aprendizado, discussões, revisão de comportamentos e atitudes, confraternização, estabelecimento de novos propósitos e metas, enfim, de recarregar baterias para os desafios que o Banco da Família se propôs realizar até o final deste ano”, disse.

Dra. Desirée: “86% das demissões no Brasil ocorrem por problemas comportamentais”

Após a abertura do evento, no sábado, um dos assuntos trabalhados foi “Como eu faço a diferença”. Quem trabalhou este tema foi a psicóloga e comunicadora social Desirée de Souza Fréscia, professora da UFSC. Em sua explanação, ela informou que 86% das demissões que ocorrem no Brasil devem-se não a falta de conhecimento, desempenho profissional ou habilidades das pessoas. “Mas sim a atitudes comportamentais”, disse. “Ou seja, cada vez mais temos de exercitar e aumentar nossa inteligência emocional”, falou.

Rita Cardoso, superintendente do Banco da Família, informou que durante os dois dias seriam trabalhados diversos temas com o grupo de colaboradores, tais como: saúde, meio ambiente, comunicação, gestão de rotinas e de equipe, planejamento e atendimento. “Serão dois dias muito importantes para melhorar o entrosamento entre a equipe, ampliar habilidades e promover novos conhecimentos”, falou.

Loreno Siega – Assessoria de Imprensa do Banco da Família

Fonte: http://blog.ozoide.com.br/?p=9440

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520 mil dólares para o microcrédito em favor das vítimas do terremoto no Haiti

A Campanha da Família Vicentina arracada mais de 500 mil dólares para ajudar os Haitianos.

Escrito por Joelson Sotem

Qui, 16 de Fevereiro de 2012 13:00

O ano de 2012 promete ser um ano de muitas realizações para as 350 famílias haitianas que acabam de incorporar-se a CLM (Chemen Lavi Miyó) – que significa “Caminho para uma vida melhor”. Trata-se de um programa de erradicação da pobreza. A Família Vicentina arrecadou até a presente data U$ 520 mil dólares. Esta quantia permitirá a mais de duas mil pessoas a começar um novo ano com ares renovados.

No ano passado, por ocasião da festa de São Vicente de Paulo, teve continuidade a iniciativa de arrecadação de fundos nos ramos da Família Vicentina com os parceiros Fonkoze (Banco alternativo para os Pobres do Haiti que gerencia o programa CLM) e Zafén (Entidade que proporciona microcréditos para empreendedores e projetos sociais) e o Haitian Hometown Associations Resource Group. A campanha publicada no site zafen.org teve uma duração de três meses.

O objetivo desta campanha consistia em arrecadar U$ 100 mil dólares em doações realizadas pela internet. A “Franz Foundation” se comprometeu a depositar a mesma quantia arrecada até o máximo de 100 mil dólares. “No começo não fazíamos ideia se pedir quantia tão grande pela internet seria viável ou não, já que até então a maior quantia arrecada numa campanha similar havia sido em torno de U$ 30 mil dólares, porém decidimos tentar”, afirmou o Pe. Robert Maloney, da Congregação da Missão e até então presidente do Conselho da Família Vicentina para o Haiti.

O Pe. Joseph Agostino, também padre da Congregação da Missão, assumiu a presidência deste Conselho no final de janeiro deste ano.

Entre os inúmeros doadores que contribuíram para esta campanha, cabe destacar aqui o papel dos ramos internacionais da Família Vicentina por sua “assombrosa generosidade”, nas palavras do Pe. Maloney. No dia de Natal, as doações realizadas através da internet atingiram o patamar dos U$ 100 mil dólares.

“Esta é, sem dúvida, a maior campanha complementar realizada através da Zafén, de modo que estamos encantados”, afirmou o Pe. Robert Maloney.

Enquanto isso nos Estados Unidos, os padres e irmãos vicentinos ocuparam-se em gerenciar outra campanha complementar ofertada pela “Franz Foundation” e a Província do Oeste dos Estados Unidos, através de doações feitas por outros meios sem ser a internet. No final de dezembro tais doações atingiram também os U$ 100 mil dólares, que graças a parceria da Franz Foundation se converteu em U$ 200 mil dólares.

Desde então continuaram chegando outras doações até a data de 31 de janeiro de 2012, onde havia sido arrecadado um pouco mais de U$ 520 mil dólares para o CLM. O objetivo é colocar esta quantia nas mãos dos haitianos que vivem às margens da sociedade e ajudar-lhes, servindo aos Pobres como fizeram Vicente de Paulo e Luísa de Marillac na França do século XVII.

“Conheci o projeto CLM durante uma viagem ao Haiti e me pareceu uma das obras mais impressionantes que já se viu neste país”, afirma o Pe. Maloney.

As famílias escolhidas para o programa estão compostas na sua maioria por mulheres com vários filhos, que padecem subnutrição e não frequentam escolas. Tratam-se de famílias que não tem nenhum tipo de receita e nem acesso a profissionais que os ajudem no saneamento básico.

Quando uma família se compromete a seguir o projeto CLM, cuja duração está prevista para 18 meses, recebe o material de construção necessário para construir uma casa de alvenaria, assim como um banheiro separado da casa e que atenda aos padrões de saneamento básico. Também recebe um filtro de água, atendimento gratuito para o saneamento básico e visitas regulares semanais de um gestor do programa que reforça os conhecimentos adquiridos e lhes ajuda a continuarem avançando no caminho da prosperidade. Deste modo, as crianças poderão frequentar a escola (para muitos pela primeira vez em sua vida) e sua mãe poderá optar por distintas formas de ganhar a vida, seja na agricultura ou formando uma microempresa. Durante este processo a mãe aprenderá trabalhos manuais que lhes serão úteis ao longo de sua vida e reforçarão sua confiança na capacidade para tirar sua família da pobreza e superar as inevitáveis dificuldades que possam aparecer.

Ao final do programa, um ano e meio depois, a mãe e seus filhos estarão bem nutridos, terão assegurado o sustento e uma casa para abrigarem-se. A mãe terá formação profissional capaz de gerar renda e a família terá recursos mensais em torno de U$ 150 dólares. O último critério para determinar o êxito do programa consiste em perguntar para a mãe se ela acredita que poderá manter-se neste caminho e desfrutar de uma situação economicamente estável no futuro. O índice de sucesso e êxito do programa é de 96%.

Sobre o Zafén

Zafén que significa: “É o que nos interessa”, no linguajar haitiano, foi desenvolvido nos 350 anos da morte de Vicente e Luísa de Marillac, como proposta de mudança de estruturas para a redução da pobreza. Foi projetada para estimular a colaboração entre os empresários do Haití, os haitianos que moram fora do país e outros interessados em apoiar a economia haitiana. Tem um critério exclusivo porque a partir do empréstimo ou doação os negócios devem demonstrar um impacto antecipado na comunidade local, mediante contratação de mais empregados, respeito ao meio ambiente e outras medidas. Zafén foi fundada pela Família Vicentina Internacional, a Universidade DePaul, Fonkoze (o banco alternativo do Haiti para os Pobres organizados) e o Haitian Hometown Associations Resource Group.

Fonte: Pe. Joseph Agostino, CM – Presidente do Conselho da Família Vicentina para o Haiti.

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Moeda Social Digital em Rondônia: Cartão de crédito para famílias carente

Por
Redação RA
– 6 de fevereiro de 2012Publicado em: Estado

O tema de hoje é microcrédito – e a MOEDA SOCIAL DIGITAL. Nada mais é do que um cartão de crédito para família pobre. R$ 600,00 (seiscentos reais), cartão magnético…

CONFIRA NO BLOG DO GOVERNADOR:

O tema de hoje é microcrédito – e a MOEDA SOCIAL DIGITAL. Nada mais é do que um cartão de crédito para família pobre. R$ 600,00 (seiscentos reais), cartão magnético, máquina em cada comércio. Gira só num bairro ou no máximo dois. Fortalece a economia local. Educa a família a controlar o gasto. Pagar no dia certo e continuar com o cartão.

Estamos esparramando nos municípios as agências do Banco Povo. Objetivo é o microcrédito. A produção do autoemprego. Ainda não fiz a análise dos resultados práticas. Quantificáveis. Recomendo a SEDES a contratação de auditoria para avaliações dos benefícios. Taxas de inadimplência. E nível de satisfação. Enquanto isto vamos aumentando mais agências.

3. Duas OSCIPs tomam conta da gestão dos bancos. Banco do Povo de Ariquemes. Acrecid (associação de crédido associação rondonia). Cada uma delas gerencia os bancos municipais. Está bem dividido.

4. A moeda social digital, ainda em caráter experimental será implantada pelo Banco do Povo de Ariquemes nos Setores 9 e 10 da cidade. Tem o nome de “Jamari”. l jamari equivale a l real. Depois que se dominar a complexidade do sistema – será a vez de Guajará Mirim. Lá a moeda recebera o nome de “PÉROLA’. É o pobre com cartão de crédito.

5. Arnando Campos – Diretor do Banco do Povo de Ariquemes estudou tudo. Foi a Fortaleza conhecer o Banco Palmas. Que funciona assim. Lá funciona sem o cartão. Prós e contras, optou pela moeda digital. Dá mais trabalho, mas, ao final fica melhor.
Como Ariquemes tem Internet na cidade inteira, só peço ao Prefeito Márcio para ajustar bem as ondas de Internet e manutenção dela bem focada para os setores 9 e 10. Não pode faltar a Internet.

7. Cada cartão magnético custará R$ 0,87 (oitenta e sete centavos). Fica bem em conta. Creio que esta moeda, depois de implantada e divulgada, será um sucesso. Além de movimentar o dinheiro na farmácia local, mercadinho, borracheiro, peças, reformas, enfim, onde se tiver necessidade de comprar coisas miúdas do dia a dia.

8. Arnaldo já comprou a impressora para imprimir os cartões. E o CPD e treinamento da equipe será implantado logo depois do Carnaval. Como se diz, o Brasil só se começa a trabalhar depois dele. Parece que é verdade mesmo.

9. Há necessidade de ampla divulgação nos bairros. Convencimento. Credenciamento de comerciantes. Tirar a cisma deles. Mas, é assim mesmo. Coisa nova, todo mundo fica com a pulga atrás da orelha. Depos acaba o medo e avança. Não foi assim com o celular. Hoje, deus-me-livre, ninguém consegue conversar com o outro sem duas ou tres interrupções do bichinho eletronico.

10. Além de fortalecer o comercio local vamos também fazer uma inclusão digital, pois a maioria dos comerciantes locais não tem computadores para fazer a venda via internet já que essa é a maneira mais viável e não tendo custo algum para o comerciante.

11. Comerciante que não tem nada de tecnologia na loja, o banco do povo financiará pra ele toda a arrumação, fios, maquinetas eletrônicas para rodar o cartão ao preço de R$ 65,00 que pode ainda ser financiado.

12. O que é que você achou de tudo isto? Então, sim. Vamos começar pelo “Jamari” e depois pela “Pérola”. Daí a pouco, por demanda e provocações iremos aumentando a rede para outros municípios. A primeira parte será o aprendizado. Acertar as arestas.

13. No mais a semana foi boa. Espero que este ano seja bacana pra todos nós. Xô crise internacional. Xô crise no Estado! Fique longe de nós! Que tenha maioria sólida na Assembléia porque preciso deslanchar com os meus programas de governo. O time deve ficar azeitado para ganhar.

Fonte:BLOG DO CONFÚCIO
Autor:Jaruonline

Fonte: http://rondoniaaqui.com.br/?p=3809

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O microcrédito no Brasil não pode ser cópia do asiático

Para pesquisadora, modelo de microcrédito na Ásia é inadequado ao Brasil

Formas alternativas de se financiar projetos sustentáveis na Índia e Bangladesh não poderiam ser simplesmente adaptados ao país. Segundo Carolina Cabral Murphy, pesquisadora da Columbia University, bancos convencionais “não têm tempo, nem vontade” de se dedicar à população pobre

Por: Anselmo Massad, Rede Brasil Atual

Publicado em 23/11/2009, 16:35

Importante para o desenvolvimento de fontes alternativas de energia na Ásia, as microfinanças esbarram no Brasil na legislação e em tentativas de se importar modelos de outros países. A avaliação é de Carolina Cabral Murphy, pesquisadora da Columbia University. Ela concluiu estudo sobre o papel de microcrédito para a promoção de desenvolvimento sustentável em países asiáticos.

Em seu levantamento, a pesquisadora analisou a capacidade de geração de energia por fontes alternativas como biodiesel, etanol, biomassa, mini e micro-hidrelétricas, energia eólica e solar financiados por mecanismos de microfinanças. Em países como Índia e Bangladesh convivem com 75% da população rural sem acesso a energia elétrica.

Apesar do sucesso de experiências como o Grameen Bank, de Bangladesh, Carolina lembra que é necessário adaptar programas de microfinanças à realidade local. Seja ele vinculado a organizações não-governamentais, sindicatos, prefeituras, cooperativas, seja até a bancos comerciais, “modelos macroeconômicos não funcionam e cada vilarejo tem de ser tratado praticamente como um novo ‘case study’”, avalia.

Em entrevista à Rede Brasil Atual, ela aponta que os bancos convencionais não têm interesse em se especializar em produtos voltados à população mais pobre. “Ainda existe um certo nível de demanda reprimida para produtos financeiros para a classe A e opções de crédito “criativas” junto a classe B”, explica. O problema dessa opção é que as classes C, D, e E ficam desprovidas de mecanismos de mobilidade social.

Ao mesmo tempo em que há uma correlação entre crises e estagnação econômicas com o avanço do microcrédito e de finanças alternativas, há o risco de uma oferta excessiva de crédito voltada ao consumo gere um crescimento econômico insustentável no médio e longo prazos.

Confira a entrevista concedida por e-mail:

RBA – Quais são as principais limitações para se avaliar a importância das microfinanças para a promoção do desenvolvimento local e sustentável?

A limitação número um é puramente legislativa. Sem as leis propícias, as iniciativas de microfinanças vão continuar surgindo de forma descentralizada e vão continuar desaparecendo na mesma velocidade. Isto é, incentivos para financiar micro e pequenos negócios verdadeiramente sustentáveis que respeitem o ecossistema, a população, a fauna e a cultura local.

A limitação número dois é o modelo operacional. Tem muita instituição no Brasil usando modelos que foram importados de países cuja cultura, a economia e a regulamentação não tem nada em comum com o Brasil. Isto é uma falha clássica tanto no mercado de microfinanças, quanto em algumas ocasiões no mercado financeiro.

RBA – A experiência asiática pode servir de modelo para outras regiões, como a América Latina?

Pode sim, principalmente para a Bolívia e outros países com poucas agências bancárias fora das capitais e principais cidades. Mas em microfinanças, modelos macroeconômicos não funcionam e cada vilarejo tem de ser tratado praticamente como um novo “case study”.

RBA – Experiências de cooperativismo de crédito no Brasil passaram por um “renascimento” na década de 90, período de alta no desemprego. Na Argentina, clubes de troca e modelos alternativos de finanças foram adotados também em períodos de crise econômica. Essa relação entre pobreza e estagnação econômica como fomentadores de microfinanças? Se sim, isso pode ser um limite?

Esta correlação existe sim e na maioria das vezes é um limite em países onde a penetração do crédito e o acesso ao capital esta fácil e harmonizado, como nos EUA e na União Européia. Porém, com a atual crise do crédito, mesmo em países ricos o mercado de microfinanças, está crescendo junto ao setor informal. Pois, ao contrário das expectativas, os bancos não estão criando novas linhas de crédito no ritmo esperado.

No caso da Argentina, e principalmente do Brasil, o acesso ao crédito é uma questão tão sensível, quanto a da desigualdade social. E o equilíbrio entre a demanda e a oferta na área de microcrédito em um país consumista como o Brasil é muito subjetivo. Porque justamente esse excesso de crédito somado as novas fontes de financiamentos (com juros baixos) que eu considero um limite reverso ao da pergunta. Tendo em vista que essa opção não é sustentável, porque pode facilmente criar uma bolha de consumo.

RBA – Por que as finanças convencionais, de mercado, não se interessam por projetos de desenvolvimento local sustentável?

Por que ainda existe um certo nível de demanda reprimida para produtos financeiros para a classe A e opções de crédito “criativas” junto a classe B. Minha opinião é que os bancos convencionais ainda não têm tempo, nem vontade para montar um time preocupado com a classe C, D, e E e com mecanismos de fazer com que estes segmentos da população obtenham mobilidade social.

Por isso que os modelos da Ásia não podem ser simplesmente adaptados. Na Índia, microfinanças funciona muito bem porque a população é de 1,2 bilhões de pessoas e faltam agências bancárias até para a classe média. No Brasil, sobram agências bancárias, postos dos correios e casas lotéricas. Porém, em minha opinião, ainda faltam produtos e serviços certos para quase todas estas classes.

RBA – É só uma questão de escala ou pode-se identificar algum tipo de componente ideológico?

No caso de Bangladesh, microfinanças virou quase um culto, mas que está funcionando bem por seguir um modelo desenhado para a realidade do próprio país. Quando morei em Bangladesh, toda vez que ia visitar uma família que tinha empréstimos do Grameen (Bank), eles sempre tinham pelo menos uma foto ou cartaz do professor Monhamed Yunnuns, Economista e PhD, que foi Prêmio Nobel da Paz e é considerado uma celebridade Nacional.

No caso do Brasil, o governo faz questão de manter uma presença muito forte entre os fundos de financiamento usando o Banco do Nordeste ou o os bancos de desenvolvimento regionais como filtro. Porém, isto acaba desincentivando a competição por produtos de microfinanças do setor bancário privado. O que é uma lástima, porque isso prevene o processo competitivo que poderia permitir a entrada e o desenvolvimento de novo operadores com modelos mais criativos no mercado.

Fonte: http://www.redebrasilatual.com.br/temas/economia/2009/11/para-pesquisadora-modelo-de-microcredito-na-asia-e-inadequado-ao-brasil/

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Espaço da Arte, o microempreendedor, sua produção e o microcrédito no apoio à comercialização

Espaço da Arte

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