Banco de microcrédito abre agência na região da Feira da Madrugada

Banco de microcrédito abre agência na região da Feira da Madrugada

São Paulo Confia inaugura agência na Feira da Madrugada. De acordo com o presidente do Conselho de Administração do São Paulo Confia, Hugo Duarte, a nova agência está “no coração do maior centro de compras da cidade”.

4 de maio de 2011, São Paulo

O Pátio do Pari, local de funcionamento da Feira da Madrugada, passa a contar com uma agência do banco de microcrédito São Paulo Confia, da Semdet – Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho. A unidade, inaugurada no dia 3, também conta com atendimento da Secretaria Especial do Microempreendedor Individual responsável pela divulgação, orientação, cadastramento e regularização dos empreendedores que ainda estão na informalidade. Na próxima quinta-feira, dia 5, o Itaim Paulista recebe o atendimento do São Paulo Confia com inauguração de uma agência regional.

O São Paulo Confia concedeu em 2010, R$ 43 milhões em crédito para pequenos empreendedores, tornando-se o maior banco de microcrédito da cidade de São Paulo. Com novos valores para empréstimo desde o dia 2 deste mês, os empreendedores passaram a ter acesso, na primeira concessão, ao valor máximo de R$ 3 mil e teto de R$ 15 mil em outros pedidos de crédito.

De acordo com o presidente do Conselho de Administração do São Paulo Confia, Hugo Duarte, a nova agência está “no coração do maior centro de compras da cidade”. A escolha pelo Pátio do Pari era, segundo o presidente, um pedido antigo do secretário da Semdet, Marcos Cintra, que desejava facilitar o acesso ao crédito dos pequenos empreendedores que frenquentam o local. “O nosso trabalho não está somente ligado ao lojista, mas também em se dirigir às comunidades para oferecer nossos serviços e orientações. Estudando a demanda local, vimos que há grande concentração de pessoas se deslocando da periferia até a Feira da Madrugada. Ao disponibilizar uma agência nesse ponto, temos como atender melhor o público-alvo”, explicou Duarte.

Com visitação média entre 15 e 20 mil pessoas/dia e mais de 4 mil lojas à disposição, a Feira da Madrugada tornou-se um local de referência para sacoleiros de São Paulo e de outras regiões do país. “Esses empreendedores, em sua maioria mulheres, ajudam a promover o desenvolvimento econômico da cidade. Sabemos que para girar esse mercado, fazem grande esforço econômico para ter uma reserva e investir nos produtos a serrem revendidos. Agora com a metodologia do crédito solidário tem no mesmo local de compras o acesso ao crédito rápido, à vista, em dinheiro e sem burocracia”, complementou o presidente.

Neste ano, o banco de microcrédito São Paulo Confia completa 10 anos e abrirá mais agências, sendo a próxima na quinta-feira, dia 5, às 10h na rua Celso Barbosa Lima, 333, no Itaim Paulista. Até junho estão programadas unidades em Pirituba, Rio Pequeno, Itaquera e Brasilândia, além da nova sede na região central com salas de aulas para o desenvolvimento da Academia de Microfinanças para formação de agentes de crédito. Endereços das agências pelo site do São Paulo Confia.

Fonte: http://bagarai.com.br/banco-de-microcredito-abre-agencia-na-regiao-da-feira-da-madrugada.html

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BluSol projeta R$ 18,5 milhões em empréstimos para 2010 em Blumenau

Fonte: Santa Catarina 24 hs – http://www.santacatarina24horas.com/BluSol-projeta-Rs-18-5-milhoes-em-emprestimos-para-2010-em-Blumenau.html

02-Abr-2010

Blumenau – Com mais de 5,7 mil operações, para 5,4 mil clientes ativos, o BluSol projeta R$ 18,5 milhões em empréstimos para 2010. E com uma projeção de inadimplência baixa, com índice previsto de 0,85%. A atividade desenvolvida pela instituição de microcrédito estimula a geração de emprego e renda. Segundo o presidente da instituição, Cláudio Peixer, de 2005 a 2010 foram computados 1.650 novos empregos. “No mesmo período, são 58 mil empregos mantidos e/ou fortalecidos”, ressalta.

Vale destacar ainda a posição nacional que o BluSol mantém. Está entre as 16 instituições de microcrédito do Brasil habilitadas para operar no programa Bolsa Família, cujo objetivo é conceder microcrédito orientado a Beneficiários Empreendedores do cadastro único do Programa Bolsa Família. Somente em 2009 foram realizadas 34 operações do gênero, totalizando quase R$ 57 mil. Pessoas como Elisiane Vargas, costureira de Gaspar que emprestou R$ 1,5 mil para investir em sua pequena confecção.

E se os beneficiários do Bolsas Família são lembrados, porque não também aqueles que se mantêm no campo? Na categoria microcrédito rural, o BluSol realizou 121 empréstimos em 2009, chegando a R$ 548,6 mil liberados.

O perfil dos clientes BluSol

De acordo com o perfil do cliente BluSol, a grande maioria atua na área de serviços (65,4%), e a maior parte ainda atua na informalidade (75,7%). Por isso, para garantir direitos como auxílio doença, aposentadoria, salário maternidade, pensão, auxílio reclusão e outros, que o BluSol estimula a formalização dos negócios. Numa parceria com o Sebrae/SC, por exemplo, estão programadas oficinas nas cinco filiais do BluSol para informar e capacitar os clientes sobre ser empreendedor individual.

Ainda é pequeno o número de adolescentes que descobriu o microcrédito. Entretanto, alguns já identificaram sua capacidade empreendedora e foram atrás do sonho de ter o próprio negócio. Clientes com idades entre 15 e 20 anos correspondem a uma fatia de 2,12% do total do BluSol. Homens e mulheres praticamente dividem o mesmo posto dentro da entidade: 47,4% e 52,6%, respectivamente.

Santa Catarina tem, atualmente, 17 instituições de microcrédito. Totalizou R$ 706 milhões emprestados até agora. Deste número, o BluSol responde por uma fatia de R$ 118 milhões, ou 17%. Do número geral de créditos, tem 35 mil, o equivalente a 13%. Também responde por 15% do total de clientes ativos do Estado (4,4 mil) e 15% da carteira ativa, respondendo por 12 milhões.

Apoio na formação de empreendedores

Somente em 2009, o BluSol realizou ações de incentivo ao trabalho na região onde atua. Em Blumenau, doou equipamentos para o curso de manicure e pedicure do Centro de Educação Profissional do CAIC da Itoupava Central. Também doou oito computadores, uma impressora e um ar-condicionado para o laboratório de informática do Pró-Família, entidade que capacitou mais de 650 adolescentes aprendizes no ano passado e espera atender outros 800 agora em 2010. “Também realizamos cinco oficinas de capacitação empreendedora em quatro bairros diferentes de Blumenau e em Gaspar, atendendo 410 empreendedores que aprenderam sobre Custos, Vendas, Diagnóstico Empresarial e outros temas”, completa Peixer.

Fonte: Assessoria de imprensa

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Shopping de microempreendedores

O universo do microempreendedor popular é povoado de ambientes de comercialização, em que agrupam-se muitos deles, competindo pelos clientes.

Milhares desses pontos de comercialização são ambientes irregulares, onde esses trabalhadores, sem nenhum amparo legal, reúnem-se para, aproveitando-se do fluxo regular de pessoas, estender no chão ou em barracas improvisadas seus produtos e efetuar suas vendas. Nestes casos, os empreendedores sofrem, com frequência, a rejeição pelo comércio regular, que aciona o poder público municipal, que, através das estruturas de fiscalização, promove os conhecidos “rapas”.

Há, além dessa situação, aquela em que o poder público organiza espaços regulares ou temporários para os empreendedores populares realizarem suas vendas: feiras, “camelódromos”, etc.

Mais recentemente, tem surgido espécie de “shoppings”, em que o poder público organiza espaços com boxes de venda, que aluga para empreendedores já mais estruturados.

Hoje, vi pela Tv e depois pela internet, um modelo similar a este, mas de origem privada, promovida por um microempresário bastante jovem, em modelo físico, mas similar àqueles encontrados nas lojas virtuais. A idéia é bastante interessante e, sem dúvida, pode ser replicado, ou reproduzido, inclusive sob estímulo das instituições de microcrédito. O apoio de uma organização de microcrédito para um projeto com o perfil apresentando na matéria não é difícil, e teria como efeito facilitar enormemente a mobilização e identificação de aliados, além de viabilizar a rentabilidade do microempreendedor.

Abaixo, a matéria publicada na internet, no site do Programa Pequenas Empresas, Grandes Negócios, e em seguida o acesso para o vídeo.

Mercado livre! Empresários lançam novo formato de negócio para a comercialização de produtos. Eles contratam um galpão, que é dividido em pequenos espaços e alugam para micro e pequenos empreendedores.

Detalhe: na loja só ficam as mercadorias! Os funcionários do próprio espaço são responsáveis pelas vendas. Os negócios são variados: roupas, bijuterias, bolsas, cintos e bonecos de pano.

“A loja foi desenhada para atender essas pessoas que fazem seus produtos, criam, têm idéias e estão começando agora, mas não têm espaço para expor sua marca. Então, aqui o custo é baixo, o risco é baixo, e a procura de fato é muito grande”, explica o empresário Gustavo Ferriolli.

Primeiro, o empresário Gustavo Ferriolli escolheu um ponto comercial movimentado. Ele alugou e reformou um espaço. Depois dividiu e sublocou o lugar para dezenas de inquilinos com pequenos negócios.

No espaço, com 120 metros quadrados, foram instaladas 130 minilojas. Cada loja nada mais é do que uma “caixa”: em cima vai uma placazinha com o nome, e dentro os produtos.

O negócio deu tão certo que em uma semana todas as minilojas foram alugadas. Já existem 80 interessados em fila de espera.

O empresário aproveitou o quanto pôde as paredes e fixou as lojas caixa de um lado ao outro, de cima a baixo. Além do espaço, Gustavo disponibiliza nota fiscal de venda, divulgação na internet e vendedores treinados.

Quem aluga as minilojas só precisa vir ao local para repor mercadorias e receber o valor das vendas. O expositor acompanha as vendas de casa, com uma senha pela internet.

“Pela internet você faz tudo. Você tem tudo real pela internet, tudo escrito. Se está faltando alguma coisa, você marca o que está faltando e vem. É genial. A ideia da loja é muito bacana”, comenta a expositora Vanessa Lehman.

“É uma forma de ter um ponto de venda com muito menos risco, menos trabalho, porque aqui tem a equipe de vendedores. A gente acompanha as vendas e está bem mais focado em produzir”, acrescenta a expositora Raisa Terra.

As contas mostram que o negócio é lucrativo para os dois lados. O empresário Gustavo gasta R$ 19 mil por mês com aluguel do espaço e seis funcionários e fatura R$ 32 mil por mês com a locação das minilojas. Para o empresário, um dos segredos do sucesso é que ele focou num segmento numeroso: o das micro e pequenas empresas.

Para os inquilinos das pequenas caixas, é a oportunidade de montar um negócio com risco e investimento mínimos. O aluguel custa de R$ 80 a R$ 550, dependendo do tamanho da caixa. O contrato é por mês.

“Eu acho bom para os dois lados: bom pra mim, que não corro risco de vender pouco e ter de ficar numa loja que você está pagando e vendendo pouco; e bom para eles, porque vai ter sempre produtos que o cliente vai gostar”, acredita a expositora Cinara Di Ciommo.

“A principal vantagem é o modelo de negócio da loja ser custo fixo de aluguel, e não uma porcentagem. Assim, conforme o produto vai dando certo e a pessoa obtendo sucesso, vai tendo mais lucro e pode investir em novas idéias e novos produtos”, afirma o empresário Gustavo Ferriolli.

Só fica mesmo quem tem lucro. A regra é a seguinte: o empresário que não estiver vendendo bem tem de sair e dar lugar para outro. O expositor tem meta: precisa faturar por mês pelo menos duas vezes o valor do aluguel.

“Nesse modelo, quem decide pelos produtos da loja é quem está comprando. Isso dilui meu risco porque eu não preciso apostar num produto ou outro. Só ficam na loja mesmo os produtos que estão vendendo”, diz Gustavo Ferriolli.

Na briga por mercado, os expositores aproveitam ao máximo o espaço nas pequenas caixas e capricham na decoração: grama sintética, espelhos e lantejoulas na fachada atraem e encantam.

“Eu acho legal, porque cada caixinha é como se fosse um mundinho diferente. Cada caixinha é uma lojinha, e é bem criativo”, comenta a cliente Henrietta Prioste.

“Cada caixa é decorada pela própria pessoa que aluga. Então, a estética da loja é determinada pela criatividade dos expositores. Uma vitrine bem feita é a chave para conseguir vender mais”, disse a vendedora Stephanie Avari.

O espaço chega a receber 800 pessoas por dia. Os minilojistas comemoram. Tatiana Schmidt tem uma lojinha de objetos de decoração. Ela começou há três meses e sempre ultrapassou a meta de venda. Além disso, a pequena caixa de 25 centímetros virou referência para outros lojistas.

“Na região passa muita gente e tem divulgado muito. Eu estou recebendo convite para vender em outros lugares de pessoas que viram os meus produtos aqui”, comemora a expositora Tatiana Schmidt.

Outra expositora, Eunice Navarro, vende roupas femininas. Ela começou com a menor caixa e hoje aluga a maior. A pequena empresária vende por mês 14 vezes o valor do aluguel e já está na fila de espera por mais espaço.

“A gente paga bem pouquinho e tem um retorno bem grande, que compensa. Então eu acho que, para nós, foi o ideal essa caixinha”, comenta Eunice.

A variedade estimula o consumidor. Ele escolhe entre centenas de produtos. Com tanta oferta, acaba comprando mais. “Têm acessórios, tem roupa, moda íntima, tem de tudo”, aponta a cliente Ediva Ferreira.

“Tem muita variedade de coisas aqui. Você olha e vai pegando um monte de coisas no final das contas”, opina a cliente Clara Perazzo.

Para conhecer a iniciativa, vendo o vídeo, clique aqui.

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VII Seminário do Banco Central de Microfinanças

Mantendo viva a tradição e exercendo papel relevante no desenvolvimento do segmento microfinanceiro no Brasil, o Banco Central do Brasil, promoverá, a partir do dia 29 de setembro, o VII Seminário de Microfinanças. Habitualmente o Seminário realizava-se na nos meses de junho ou julho, reunindo sempre um público muito representativo, em torno de aproximadamente 400 pessoas. A maioria representações dos agentes financeiros, sempre uma quantidade expressiva de representantes de cooperativismo de crédito e, por outra parte, lideranças das OSCIPs de microcrédito.
Normalmente, a tônica dos Seminários anteriores estava no incentivo ao ingresso dos bancos na atividade, com debates que incluíam a discussão sobre a utilização dos recursos da exigibilidade em microcrédito “livre” (direcionado em sua maioria ao consumo), sobre a experiência dos correspondentes bancários e, finalmente, sobre o microcrédito produtivo orientado.

A pauta desse ano revela-se diversificada:

São nove mesas temáticas:

TEMA I: O GOVERNO BRASILEIRO E O SEGMENTO MICROFINANCEIRO
TEMA II: AS MICROFINANÇAS E OS MICRO E PEQUENOS EMPREENDIMENTOS
TEMA III: FUNDING PARA AS MICROFINANÇAS
TEMA IV: ATUAÇÃO DE ENTIDADES REGULADAS QUE VISAM LUCRO – DESAFIOS E
TENDÊNCIAS
TEMA V: ATUAÇÃO DAS ENTIDADES REGULADAS QUE NÃO VISAM LUCRO – COOPERATIVAS
DE CRÉDITO – O DESAFIO DA BOA GOVERNANÇA
TEMA VI: ATUAÇÃO DAS ENTIDADES NÃO-REGULADAS
TEMA VII: ECONOMIA SOLIDÁRIA E MOEDAS SOCIAIS
TEMA VIII: MICROFINANÇAS – EXPERIÊNCIAS LOCAIS DE SUCESSO
TEMA IX: ECONOMIA SOLIDÁRIA

No primeiro tema, os expositores serão Gilson Bittencourt (Ministério da Fazenda), Max Coelho (PNMPO/Ministério do Trabalho) e Marden Soares.

A reserva de percentual dos depósitos à vista (2%) para aplicação em microcrédito como medida de estímulo ao desenvolvimento do setor, deverá ser objeto de discussão, provavelmente.

O impacto dessa medida foi importante e sentido: há utilização importante de parte destes recursos em microcrédito livre, em torno de 50%, e parte dele está sendo utilizado no microcrédto produtivo orientado, de modo especial pelo Programa Crediamigo, do Banco do Nordeste, e pelo Real Microcrédito, uma SCM constituída pelo Banco Real (ABN-AMRO). Entretanto, apesar da relevância que a disponibilidade desse funding representou, ainda existe um volume muito expressivo ocioso e uma percepção generalizada de que esse volume financeiro não foi determinante nem para o ingresso de players do mercado financeiro no campo do microcrédito produtivo orientado nem para o fortalecimento das operadoras especializadas, como as SCM (reguladas) OSCIPs (não reguladas) ou cooperativas de crédito. Se esse dianóstico for convergente, deveria ser motivo para provocar a instalação de um processo de revisão do modelo: há que se facilitar que cooperativas de crédito, OSCIPs, agências de fomento e SCMs possam acessar estes recursos, que são aqueles mais abundantes e de menor ônus, o que facilitaria a disponibilização de microcrédito por menores custos aos beneficiários.

Outro debate que deverá retornar, muito provavelmente, será aquele relativo à aplicação dos recursos do FAT, de modo direto, por deliberação do Ministério do Trabalho, sem a dependência dos agentes financeiros. Essa medida, bastante discutida durante as oficinas do PDI, promovidas no segundo semestre de 2007, precisa de regulamentação legal, depende de aprovação dos Ministérios do Trabalho, do Desenvolvimento Social e da Fazenda, para depois ser avaliada pela Presidência e pela Casa Civil, antes de ser encaminhada ao Congresso. Trata-se, com certeza, de uma pauta exigente em termos de articulação política.

Também seria o caso, nesta mesa, de abrir a oportunidade para se repensar o papel dos bancos públicos no fomento ao microcrédito: seria interessante promover uma comparação entre os modelos do Programa Crediamigo e aquele do Banco Popular do Brasil.

Na época em que o Banco Popular do Brasil foi constituído (2003), o Crediamigo já estava consolidado. Tinha cerca de 5 anos de caminhada e números expressivos de clientes e volume de crédito concedido. Entretanto, o investimento expressivo (R$ 100 milhões) do Banco do Brasil na criação do Banco Popular do Brasil fez-se com uma opção de modelo de negócio que não se baseou na experiência já consagrada do Crediamigo: investir em microcrédito produtivo orientado, utilizando-se da estratégia assentada sobre o relacionamento direto e pessoal entre o agente de crédito e o microempreendedor, por meio de uma organização especializada (no caso do Crediamigo, uma OSCIP), responsável pela garantia dessa metodologia de atuação.

Infelizmente, essa opção, em que pesem os muitos alertas emitidos, ao invés de um novo player no mercado, impulsionando o acesso, ficou exposta a numerosas críticas, enfrentou elevada inadimplência, conheceu resultados financeiros negativos, durante todos os anos de funcionamento da instituição, produzindo prejuízos e resultou, no início deste ano, no encerramento das operações da instituição. As atividades e compromissos foram assumidos de volta pelo Banco do Brasil, gerando espaço para a sensação de fracasso para uma proposta de banco especializado em microcrédito no Brasil. Em recente visita de M.Yunus ao Brasil, em encontro na Presidência da República, o Presidente Lula, conforme noticiado pela imprensa teria lamentado o insucesso do banco de microcrédito no país. Evidentemente, não se pode afirmar completo fracasso à proposta do BPB. Existem sempre aprendizagens.

Outra questão relevante para o debate poderia ser a referente à flexibilização de regras ou ao desenho de normas específicas autorizando e estimulando o surgimento e o funcionamento de instituições de segundo piso, constituidas na forma de consórcios, similares às centrais cooperativas. O ideal seria permitir que fossem constituídos consórcios ou cooperativas sem que se restringissem os limites territoriais ou a possibilidade de modalidades diversificadas de instituições de microcrédito participarem deles. Uma proposta assim, baseada no modelo de centrais cooperativas, permitiria acesso à exigibilidade, responsabilidade mútua das organizações, operações com maior vulto, reduzindo o problema sempre apontado de insuficiência de quadros para acompanhar operações pulverizadas.

Por outro lado, algumas pessoas tem apontado certa “falta de capacidade produtiva” das instituições de microcrédito produtivo orientado, o que se poderia discutir. O acesso a recursos de funding poderia basear-se não apenas em contratos cujo pagamento ficasse assegurado, mas também em metas de expansão de clientela. Poderia haver um comprometimento da instituição de microcrédito e da instituição financeira com a ampliação da quantidade de clientes, e isto ser o objeto central do contrato.

Estes são alguns temas, dentre outros, que mereceriam atenção.

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Melhores práticas em microfinanças: o setor público deve interferir?

Interessante reflexão da analista do Banco Central Alessandra Von Borowski Dodl, que trago para o debate. O tema possui elevado interesse.

Revista do Terceiro Setor – RJ – 05/06/08

Por Alessandra Von Borowski Dodl, para a Rets*

A indústria das microfinanças vem despertando interesse nos últimos anos, não exclusivamente pela vinculação que se faz entre a atividade e o combate à pobreza; mas também, pela gestão de qualidade e resultados apresentados. São vários aspectos a serem abordados no mercado internacional que demonstram o nível alcançado pelo setor, como forte penetração, Bolívia e Nicarágua, presença de Bureaus de Crédito adequados, República Dominicana e Equador, e o caso polêmico de abertura de capital do Compartamos no México.

Analisando a conduta que os agentes vêm assumindo, torna-se difícil concluir que o Estado possa manter-se isento neste mercado. A discussão não é simples, pois envolve “expectativas” de resultados que impliquem o combate a uma das mazelas mais amargas do Brasil, a “desigualdade de oportunidades”. É evidente que os problemas de concentração de renda e injustiça social representam desafios bem mais amplos que o acesso a serviços financeiros; no entanto, a possibilidade de pessoas, anteriormente marginalizadas, passarem a ter acesso a produtos financeiros customizados para suas necessidades, sem que sejam tratados como beneficiários de programas públicos, e sim, como bons clientes, parece indicar uma nova leitura do cenário social.

Construir um marco regulatório que represente a infra-estrutura apropriada para o desenvolvimento das microfinanças, sem limitar as boas práticas e capaz de proteger os pequenos clientes, exige constante avaliação e atualização. O governo brasileiro vem demonstrando comprometimento com o setor, através, entre outros, da permissão para cobrança de taxa de juros de mercado pelas OSCIPs (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) e da expansão das possibilidades de utilização dos Correspondentes por outras instituições financeiras, que não as bancárias. Entretanto, a velocidade com que evolui o setor impõe uma dinâmica própria à estrutura de leis e supervisão.

No Brasil, em particular, por haver um grande mercado potencial não atendido, a expansão das entidades e a inovação tecnológica “tendem” a ser expressivas, tanto na busca por novas fronteiras, quanto no enfrentamento de mercados já competitivos. Alguns casos de iniciativas nacionais com boa gestão podem ser citados para exemplificar esta tendência, as OSCIPs Crédito Popular Solidário – São Paulo Confia (SP) e os CEAPEs (Centro de Apoio aos Pequenos Empreendimentos) – MA e PE; três instituições que, juntas, apresentam uma carteira de crédito de mais de R$ 30 milhões, atendem cerca de 28 mil clientes e mantêm inadimplência controlada (em alguns momentos, chegando a níveis abaixo de 2% – acima de 30 dias).

Atuação do Setor Público

Conhecendo outras experiências, o setor público pode tirar lições quanto ao seu posicionamento no contexto das microfinanças; concluindo que a sua “não intromissão” nos estágios iniciais de desenvolvimento do setor conduz ao alcance de bons resultados pelos agentes privados. Mais liberdade para desenvolver tecnologia adequada e tempo para conhecimento do mercado significam oportunidade de construção de um modelo próprio, customizado para cada região, ou mesmo, para cada comunidade. Entretanto, a dúvida permanece quanto ao que é “não intromissão do setor público”, a ausência de mudanças?

De fato, como aconteceu em diversos modelos de êxito, como o benchmark regulatório latino-americano – Bolívia[1], as ONGs de microcrédito conseguiram desenvolver tecnologias apropriadas para o atendimento de seus clientes, levando, em alguns casos, à transformação em entidades reguladas, como Banco Sol e FFP PRODEM. Inicialmente, houve apoio de instituições estrangeiras para o desenvolvimento institucional das microfinanças, inclusive, no que tange à capacidade de supervisão da autoridade reguladora. Com o avanço do setor, as soluções passaram a ser encontradas de forma endógena, caracterizando a maturidade das microfinanças bolivianas, alcançada pelo aprendizado via “conhecimento local” e expertise internacional.

As parcerias para melhoria tecnológica são positivas e devem ser permanentes, porém, para conhecer as necessidades e particularidades de cada mercado, o caminho mais rápido parece ser a “convivência” com os clientes no dia-a-dia. Para as entidades que atendem estes clientes, o processo de conhecimento pode ser realizado de duas formas, pelo estudo de mercado e pela relação desenvolvida através das práticas cotidianas. Não se trata de medidas substitutas, pelo contrário, são complementares em suas abordagens, podendo acelerar a construção de um perfil sócio-econômico para as comunidades, se bem elaboradas. O estudo de mercado permite uma visão mais ampla, do conjunto de clientes, enquanto o contato pessoal determina os detalhes.

Quanto ao poder público, estudos de mercado e expertise adquirida por meio de parcerias com especialistas podem colaborar, e muito, para a compreensão do entorno da atividade, casos de sucesso, crises enfrentadas em outros países, tecnologias que funcionam sob determinadas condições, etc; mas, não substituem a proximidade com os clientes e operadores (IMFs – Instituições de Microfinanças). Esta assimetria compromete o nível de entendimento do setor, dificultando, inclusive, a compreensão do papel do ente regulador em um contexto novo, caracterizado por ciclos de negócios mais dinâmicos (curtos), com riscos dispersos em um grande número de clientes, mas concentrados quanto ao perfil; com tecnologias desconhecidas pelos reguladores/supervisores.

As necessidades dos clientes à margem do sistema financeiro tradicional se assemelham, ainda que em sociedades submetidas a culturas e economias diferentes; existe demanda por crédito adequado, ágil e sem burocracia, e por produtos de poupança, além de outros que colaborem para uma maior estabilidade econômica, ou ainda, que abram portas para o alcance de melhores oportunidades. As diferenças entre as populações com menos recursos residem nas peculiaridades das relações entre pessoas, que definem quais os produtos e processos que melhor se encaixam ao perfil de cada comunidade. Existem regiões de um mesmo país que divergem, enquanto estados de países vizinhos apresentam maior identificação [2]. Não basta estar subordinado as mesmas leis para que se configure um mercado homogêneo.

Da mesma forma, existem entraves que traduzem problemas semelhantes em diferentes sociedades, ainda que regidas por leis e costumes diversos. Como exemplos de fragilidades no ambiente institucional, passíveis de ocorrência em outros mercados, podem ser citadas a crise na Bolívia no final dos anos 1990, com a evidenciação da necessidade de Bureaus de Crédito, em função do alto grau de endividamento dos clientes, e a situação de interesses conflitantes na Índia, aliada a restrições legais impeditivas, como situações de limites para taxa de juros[3]. Dois países com realidades econômicas e culturais diversas, mas que, igualmente, ao longo de sua história, têm-se deparado com desafios para o atendimento da alta demanda por serviços financeiros nas camadas mais pobres.

Para conhecer a complexidade do setor microfinanceiro, e as particularidades de cada contexto, é importante a avaliação das necessidades dos clientes e das dificuldades dos operadores no local de trabalho. A tecnologia aplicada às microfinanças, por diferir das práticas tradicionais do sistema financeiro, necessita de um processo de aprendizagem que envolva o ambiente institucional como um todo, desde o arcabouço normativo até as especificidades metodológicas, como aval solidário e levantamento sócio-econômico sem respaldo documental.

Com isso, faz-se novamente a pergunta, “o que significa a não intromissão do setor público?” Significa manter distância do mercado, evitando condutas equivocadas, ou conhecê-lo profundamente, a ponto de saber quando, como e onde interferir?

Conclusão

Para estar apto a colaborar com um arcabouço institucional adequado a cada momento, é fundamental que o setor público conheça os agentes e as relações que suporta, ainda que não de forma direta, por meio de normas, mas como agente capaz de compreender os resultados de suas ações ou omissões.

Como diz Sanjay Sinha, em seu artigo sobre as microfinanças na Índia (Microfinance Regulation for Financial Inclusion: the “street child” needs nurturing…- 2007): “A maioria dos observadores qualificados concorda que algum suporte por meio de ações planificadas será requerido para facilitar e expandir o alcance, em uma proporção significativa, daqueles que são excluídos do sistema financeiro formal”.

[1] Nota máxima em todos os indicadores referentes à estrutura regulatória (único caso entre os 15 países analisados em “Microscope on the Microfinance Business Environment in Latin América 2007”, The Economist – BID/CAF).

[2] Como ocorre em alguns lugares de Bangladesh e Índia.

[3] Ver Sanjay Sinha – Microfinance Regulation for Financial Inclusion: the “street child” needs nurturing…- 2007.

*Alessandra Von Borowski Dodl é analista do Banco Central do Brasil, especialista e consultora na área de microfinanças.

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