Inclusão Produtiva, Bolsa Família e Mulheres

Nos últimos dias, a temática da inclusão produtiva ganhou espaço nos meios de comunicação social, em função do compromisso assumido pela nova Presidente da República, Dilma Roussef, de ampliar os esforços para que seja eliminada a pobreza extrema do país.

Ainda não são conhecidas as decisões quanto às estratégias que se pretende adotar para alcançar esse resultado, bem como não estão claros os conceitos que embasam o quadro diagnóstico que o governo está fazendo acerca desse problema.

Comenta-se, por exemplo, que para a delimitação do universo a ser atendido o governo adotará como métrica uma nova linha de pobreza, cujos parâmetros assegurariam uma maior precisão frente àqueles utilizados na definição do Programa Bolsa Família. Com tais aperfeiçoamentos metodológicos, seria possível visualizar os destinatários de novas ações e alocar mais criteriosamente aos recursos, cujos valores para este empreendimento também ainda não são conhecidos, e obter como resultado a erradicação da pobreza extrema no prazo de quatro anos.

Os problemas metodológicos são muitos, como se verifica. Além daqueles pertinentes à precisão conceitual quanto à definição da pobreza extrema, há o problema de definição de métrica e de identificação dos destinatários. Mais ainda, há que se pensar, tomando por suposto que este primeiro conjunto de problemas está solucionado, na correlação entre as ações propostas e sua sensibilidade na alteração do cenário anterior.

Já existem alguns experimentos em que se adotou o microcrédito como parte das estratégias de intervenção junto a beneficiários de programas de transferência de renda. É o caso, por exemplo, da iniciativa desenvolvida pela Prefeitura Municipal de São Paulo, durante a administração da Prefeita Marta Suplicy, sob coordenação da Secretaria do Trabalho, entre 2001 e 2004.

Verificou-se, dentre outros resultados, que o número de beneficiários do Programa de Renda Mínima, como era denominado o programa de transferência de renda, que estavam aptos à obtenção do microcrédito era percentualmente pequeno. Além disso, que aqueles que se enquadravam no perfil do acesso ao crédito, não possuíam atividades econômicas com perfil diverso dos demais tomadores de crédito. Ou seja, quando recorriam ao crédito, apresentavam empreendimentos econômicos similares àqueles clientes de microcrédito que não se beneficiavam das transferências de renda. Isto se explica pelo fato de que o crédito ao exigir um patamar de capacidade de pagamento, determina um piso de valores envolvidos, abaixo dos quais exigem-se outras modalidades de atividades microfinanceiras.

É interessante pensar, por exemplo, na estratégia dos bancos comunais; dos bancos comunitários, que atuam com moedas sociais; nos bancos de sementes; ou nos clubes de troca. Em todos estes casos, a atividade microfinanceira inicia-se com a geração de uma “micro-poupança”.

Em famoso estudo publicado em 1999, The poors and their money, Rutherford explanou sobre as formas de poupança: ascendente e descendente. Onde o crédito, inclusive o microcrédito, caracterizam-se como poupança descendente. A poupança ascendente é aquela que habitualmente consideramos poupança, de fato.

O caso dos catadores de recicláveis é um bom exemplo de como se dá a transformação da poupança em moedas, que permitem a inserção no mercado do consumo. As latas ou o papelão recolhidos nas ruas são a forma de uma poupança pré-monetária, que só depois de alcançar certas quantidades podem ser conversíveis em reais, viabilizando acesso ao “mercado.

É muito provável que na definição das estratégias desse programa de erradicação da pobreza extrema se adotem instrumentos com esse perfil de agregação de poupança.

O desafio da inserção produtiva consiste, então, em primeiro lugar, na rotinização das práticas de acumulação de poupança e de sua conversibilidade em moeda. Se a moeda for uma moeda social, que assegure a retenção de valor na mesma comunidade, ela reforça o fluxo de poupança e acelera a dinâmica de elevação do nível de renda e redução da pobreza.

Essencialmente, portanto, a inserção produtiva das pessoas que vivem em extrema pobreza se dá pelo fortalecimento dos laços comunitários, que permitem a acumulação de poupança em favor do grupo. E, é neste momento, que a predominância das mulheres se evidencia com muita força. As mulheres, mais capazes de dialogar e de conviver, conseguem com maior facilidade comprometer-se mutuamente com uma estratégia de reserva e agregação gradual de valor, ainda que em fase pré-monetária. E, se na fase monetária, a moeda propiciar o laço de cooperação, mais ainda ela será bem aceita. No microcrédito, já num estágio mais monetizado, as mulheres ainda são enorme maioria, na faixa entre 60 e 65% dos clientes.

O papel dos agentes governamentais e das instituições financeiras comprometidas com as políticas públicas, tal como a CAIXA, é, sobretudo, investir recursos na dinamização das práticas comunitárias, sempre priorizando aquelas que viabilizam a formação de poupança.

Num programa nacional de erradicação da pobreza extrema, as organizações de microcrédito deverão ser chamadas a impulsionar as novas modalidades de agregação microfinanceira. Com lastro dos recursos governamentais, deverão desenvolver os mecanismos para a conversão das diversas formas de poupança geradas nas comunidades, pagando o mais alto câmbio possível.

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Projetos sociais em desenvolvimento

À medida em que o Blog do Microcrédito está crescendo, tem surgido algumas pessoas que entram em contato para informar sobre idéias que estão desenvolvendo ou sobre projetos sociais em que estão engajadas, alguns já em funcionamento, outros ainda em fase de preparação.

Neste mês de janeiro de 2011, por exemplo, entraram em contato conosco a Juliana, de Guarulhos, que pretende desenvolver algumas idéias para o trabalho com grupos de mulheres, e o Anízio, de Citrolândia (Betim – MG), que participa de uma comunidade em que está sendo construído um Centro Comunitário, para a realização de diversas atividades, mas com ênfase especial no atendimento de grupos de mulheres.

Evidentemente, o Blog do Microcrédito não poderá tratar em detalhes desses projetos ou de outros que venham a surgir em suas páginas principais, mas vamos pensar em um espaço para divulgar iniciativas desse tipo, em respeito a todos os nossos leitores e porque acreditamos que muitos empreendedores clientes do microcrédito também tem interesse e participação em vários projetos sociais.

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Mato Grosso: mulheres são as principais beneficiadas do Programa Microcrédito

10 de Janeiro de 2011 – 15:26
Mulheres são as principais beneficiadas do Programa Microcrédito
Fonte: Assessoria

Desde 2004, mais de 4,7 mil mato-grossenses já recorreram aos financiamentos do Programa Microcrédito, uma ação do governo do Estado, desenvolvida por intermédio da Secretaria de Estado de Trabalho, Emprego, Cidadania e Assistência Social (Setecs). Deste total, cerca 59% dos usuários é do sexo feminino e 25,5% está na faixa etária acima dos 45 anos.

Os dados são fornecidos pelos coordenadores do Microcrédito e revelam também que a maioria dos usuários do programa, aproximadamente 55,7%, possui apenas o ensino fundamental. Já 27,1% possuem o ensino médio e 5,1% concluiu ou iniciaram o ensino superior.

Em seis anos, o programa já liberou mais de R$ 5 milhões de reais em financiamentos que geraram 7.080 empregos diretos. Entre as atividades que mais se destacaram no projeto, está a de Costura (14%), Hortifrutigranjeiro (7%), Apicultura (5,6%), Artesanato (5,5%), Salgados (5,3%) e Cabeleireiro (5,25%).

O programa atende mais de 90 municípios do Estado e para este ano já existem mais de 12 cidades de Mato Grosso que irão receber o projeto. Entre elas, Alto Garças, Canabrava do Norte, Feliz Natal, Juscimeira, Lambari D” Oeste, Nova Guarita, Nova Ubiratã, Novo Mundo, Paranatinga, Querência, Santa Rita do Trivelato, São José do Povo.

Os municípios campeões em empréstimos são Juína, Campo Novo dos Parecis e Pontes e Lacerda. O programa, além de liberar recursos, também capacitou 8.502 microempreendedores nos mais de 314 cursos de capacitação gerencial realizados pelo Governo do Estado em parceria com as prefeituras municipais.

“O Microcrédito é antes de tudo um programa social, cujo principal objetivo é estimular a geração de renda e o trabalho formal. Pelo programa, o trabalhador pode recorrer a empréstimos de até R$ 1,5 mil reais, que serão parcelados em 12 vezes sem juros e ainda com carência de três meses para o pagamento da primeira parcela”, disse a assessora especial da Setecs-MT, Idirenes Queiroz Amaral.

O Microcrédito é formado pela união de forças entre Setecs-MT, Prefeitura, MT Fomento, Empaer e Conselho Municipal de Trabalho. O Governo do Estado coordena, disponibiliza recursos e preside os Comitês de Crédito Municipal. Já o município, disponibiliza agentes de créditos, servidores e infra-estrutura para manter o projeto no local, além de arcar com as despesas do curso obrigatório de capacitação, realizado pelo Sebrae.

O MT Fomento faz a análise de crédito, por meio do Comitê Municipal e a cobrança dos inadimplentes. A Empaer também auxilia na análise de crédito das propostas. O Conselho Municipal de Trabalho fiscaliza a ações do projeto nos municípios. Cabe ressaltar que a formação e homologação do conselho é pré-requisito indispensável para desenvolvimento do Microcrédito em qualquer cidade do Estado.

Fonte: http://sonoticias.com.br/noticias/2/118973/mulheres-sao-as-principais-beneficiadas-do-programa-microcredito

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Mulheres de Negócios: Guarulhos inicia programa de microcrédito

24 de junho de 2010 • 22h06 • atualizado às 22h15.

Aparício Reis
Ministra Nilcéia Freire veio de Brasília para assinar o acordo
Prefeitura lança microcrédito especial para apoiar mulheres
Cristiane Peixoto
Da Redação

A prefeitura de Guarulhos lançou na tarde de hoje o Programa Mulheres de Negócios (ProMuNe), que vai oferecer uma linha de microcrédito especial para apoiar mulheres interessadas na criação e no desenvolvimento de seus própios negócios. No evento realizado no Auditório do Paço Municipal, no Bom Clima, o acordo de cooperação técnica foi assinado entre a prefeitura, a Caixa Econômica Federal e a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. “O programa é dirigido à mulher empreendedora e nele ela terá antes do microcrédito um curso de capacitação. Elas aprenderão sobre educação financeira e gestão de negócios”, explica Hedi Maselli, responsável pela Coordenadoria da Mulher da prefeitura de Guarulhos. A coordenadora comentou sobre a importância do projeto. “Propiciar a independência financeira da mulher ajuda a acabar com a violência contra elas, pois terão mais autonomia dentro de casa”, disse. A ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Nilcéia Freire, falou sobre a existência de coordenadorias para mulheres em todo o País, sobre a pesquisa de orçamento familiar do IBGE e sobre seu cargo em Brasília. Ela elogiou o projeto de crédito e capacitação que será o primeiro no Brasil. “Guarulhos vai ser o espelho. O que der certo aqui, será levado para todo o País.” A vereadora Eneide Lima (PT), criadora da lei do microcrédito na cidade, disse que Guarulhos será uma referência nacional no incentivo às mulheres. A deputada federal Janete Pietá e o consultor da Presidência da Caixa Econômica Federal, Vicente Trevas, também comentaram sobre a assinatura do acordo e a relevância do projeto para o empreendorismo das mulheres da cidade. “O que estamos fazendo é dar oportunidade para que as portas se abram cada vez mais para as famílias”, disse o prefeito Sebastião Almeida. As mulheres interessadas em obter o microcrédito devem fazer a inscrição em uma das Casas da Mulher Clara Maria e participar do curso de capacitação.

SERVIÇO Casa da Mulher Clara Maria 1 (R. Francisco Antonio de Miranda, 65, no Centro – Telefone: 2468-3569 ou 2472-6926); Casa da Mulher Clara Maria 2 (R. Alberto de Mello Seabra, 292, no Jardim Angélica – Telefone: 2480-1060); Casa da Mulher Clara Maria 3 (R. Agostinho dos Santos, 2, no Conjunto Habitacional Haroldo Veloso – Telefone: 2467-6445

Fonte: http://www.diariodeguarulhos.com.br/beta10/f?p=181:4:1021411737381709::NO:4:P4_ID,P4_PALAVRAS:19230,Prefeitura%20lan%C3%A7a%20microcr%C3%A9dito%20especial%20para%20apoiar%20mulheres

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Temos sempre que acreditar!

Veja o texto abaixo:

Na área financeira, ganha projeção uma jovem de 26 anos filha de agricultores. Lilian Prado ajudou a criar e dirige a Acreditar, instituição de microfinanças especializa na concessão de crédito para jovens e mulheres. A sede da empresa fica em Glória do Goitá, município pernambucano com 30 mil habitantes, metade deles vivendo na zona rural. A Acreditar investe em pequenos negócios para evitar o êxodo de pequenos agricultores para os centros urbanos do Sudeste por falta de trabalho no Nordeste, antigo problema para as comunidades locais. Seu trabalho ganhou projeção nacional. O Itaú Unibanco se inspirou na história da instituição para redigir um manual de como montar uma empresa de microfinanças. “Lilian está se projetando nacionalmente como empreendedora social”, diz Denise Gibran Nogueira, gerente de sustentabilidade do Itaú Unibanco. “E, a Acreditar, inspirando a criação de outras instituições de microcrédito no Sul e no Sudeste.”

Essa nota, que cita a organização Acreditar, de Pernambuco, é parte de uma matéria muito interessante que o portal IG está fazendo sobre o atual ciclo de desenvolvimento da economia nordestina. Para os que se interessam pelo desenvolvimento nacional, caso queiram ler a íntegra publicada pelo IG, segue o link:

http://economia.ig.com.br/grandes+obras+abrem+caminho+do+novo+nordeste/n1237558616503.html#6

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