Subsídio e futuro do microcrédito

Autor(es): Lauro Gonzalez
Valor Econômico – 30/04/2012

A presidente lançou em agosto de 2011 o Crescer, programa de microcrédito orientado que prevê juros de 8% ao ano, bem abaixo das taxas atualmente praticadas no microcrédito, que podem chegar a 60% ao ano. Foi assinada ainda uma medida provisória autorizando a União a conceder subvenção econômica, ou seja, subsídios para “equalização de taxas” para as instituições financeiras dispostas a realizar operações cobrando os juros previstos pelo programa.

A legislação brasileira estabelece que 2% dos depósitos a vista devem ser aplicados nas modalidades de microcrédito para consumo ou para microempreendimentos, sob pena de ficarem retidos sem rendimentos. O objetivo declarado do Crescer é a expansão do crédito, a juros mais baixos, para atividades empreendedoras. O governo, portanto, busca incentivar o direcionamento dos recursos da exigibilidade dos 2% para o microcrédito produtivo orientado.

Obviamente, é cedo para que se avalie o cumprimento das metas do programa. Ademais, incentivar o microcrédito produtivo é correto. Entretanto, quando são examinadas as diversas experiências práticas, inclusive aquelas desenvolvidas aqui mesmo no Brasil, assim como as pesquisas acadêmicas disponíveis, há razões para argumentar que as medidas do governo podem acabar gerando retrocesso.

É correto incentivar o microcrédito produtivo, mas o programa Crescer pode acabar gerando retrocesso

Em primeiro lugar, as estatísticas disponibilizadas pelo Banco Central já apontavam, antes mesmo das medidas anunciadas, uma tendência de crescimento maior do microcrédito produtivo, se comparado à modalidade de consumo. Em dezembro de 2008, o microcrédito produtivo representava 17,5% do total da exigibilidade, enquanto o consumo representava 30,2%. Os 52,3% restantes não estavam aplicados em nenhuma modalidade, sendo recolhidos sem qualquer remuneração. Em julho de 2011, um mês antes das medidas, os números do microcrédito produtivo representavam 33,2% da exigibilidade, em comparação com 34% do consumo.

O último dado disponível é de dezembro de 2011 e mostra 43% e 28%, respectivamente para produtivo e consumo. Portanto, houve um aumento da aplicação de recursos preponderantemente puxado pelo microcrédito produtivo, que cresceu mais de 250% em dois anos e meio. Haveria necessidade de subsídio?

Em segundo lugar, o subsídio pode ser questionado por um fator empírico elementar. O Brasil já dispõe de uma experiência de microcrédito produtivo orientado sustentável do ponto de vista econômico. Trata-se do Programa Crediamigo, do Banco do Nordeste (BNB). O Programa evoluiu de uma carteira ativa de pouco mais de 70 mil clientes, em 2002, para mais de um milhão, ao fim de 2011. As taxas de juros cobrem os custos e a inadimplência divulgada é inferior àquela verificada nos segmentos tradicionais de crédito.

Ao invés de subsídios, não seria adequado ter como foco investir recursos para adaptar o modelo de negócio do BNB para realidade dos outros bancos públicos, notadamente a Caixa e o Banco do Brasil? Obviamente, a tarefa não seria trivial por diversas questões, tais como diferentes padrões de governança e mecanismos de prestação de contas. Os ganhos de longo prazo, entretanto, parecem óbvios, sobretudo pela escala potencial desses bancos. Haveria ainda um efeito de segunda ordem na medida em que o sucesso do microcrédito em larga escala poderia atrair o setor privado para as microfinanças, acelerando o processo de inclusão financeira.

Em terceiro lugar, o subsídio concedido pelo governo, dada a restrição orçamentária existente, utiliza recursos públicos que poderiam ser alocados para outras áreas, como educação e saúde. Para que tal subsídio se justifique, é preciso avaliar o “impacto do microcrédito” sobre o bem-estar daqueles que o utilizam. As pesquisas disponíveis apresentam resultados não consensuais acerca dos impactos gerados. Um conhecido estudioso do assunto, David Roodman, acaba de lançar um livro (Due diligence: an impertinent inquiry into microfinance) no qual questiona o sucesso e os impactos do microcrédito em diversos países. Estudos aplicados ao Brasil também não permitem conclusões definitivas sobre o tema.

Por fim, o subsídio proposto não é focalizado, podendo ser utilizado para concessão de empréstimos a microempreendedores que não são os “mais pobres dentre os pobres”. Talvez se justificasse o uso de recursos subsidiados se, por exemplo, sua aplicação fosse exclusivamente dirigida aos beneficiários do Bolsa Família, em uma conjugação de políticas de transferência de renda e crédito como forma integrada de combate à pobreza e inclusão nos mercados formais.

A construção de um sistema financeiro inclusivo é fundamental para a continuidade do desenvolvimento brasileiro. Não obstante o longo caminho a ser percorrido, tem havido avanços importantes. É preciso inovar para o futuro e aprender com os acertos e desacertos das experiências passadas, evitando o caminho do retrocesso.

Lauro Gonzalez é professor de Finanças da EAESP-FGV e coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças da FGV.

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Gestão para Autossustentabilidade Financeira das Instituições de Microfinanças

Cristiano Colozzi, engenheiro, publicou recentemente um interessante artigo sobre a autossustentabilidade das Instituições de Microfinanças, a partir da análise do caso da Oscip São Paulo Confia.

Por meio do Linkedin, solicitei sua autorização para divulgar aqui no Blog do Microcrédito cópia do artigo, que ele gentilmente concedeu.

Segue o artigo, para leitura. Aproveite.

Gestão para Autossustentabilidade Financeira das Instituições de Microfinanças

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Rio de Janeiro: Microempreendedores de favelas receberão empréstimos

14/03/11 – 18:21

Agência Brasil

RIO DE JANEIRO – O Banco do Brasil e seus parceiros – prefeitura do Rio de Janeiro e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) – devem começar neste mês a liberar empréstimos para microempreendedores de comunidades carentes cariocas.

“A gente vai fazer esse microcrédito no conceito de sustentabilidade. Para que realmente esse dinheiro seja muito bem utilizado pelos empreendedores nas suas atividades, para não ser mais um problema depois. Nós chamamos isso de Projeto Regional Sustentável”. A informação foi dada nesta segunda-feira (14) à Agência Brasil pelo superintendente estadual do Banco do Brasil no Rio de Janeiro, Tarcísio Hubner.

Ele disse que participam do projeto as associações que representam os microempreendedores individuais. No próximo dia 17, as instituições farão nova reunião para definir as estratégias de ação. Serão apoiadas pessoas físicas que desempenhem atividades produtivas, inclusive informal, entre as quais Hubner destacou as de artesão, feirante, sapateiro, do ramo de alimentação e de confecções.

“Qualquer atividade bem estruturada, onde entre em discussão a questão da sustentabilidade. Que ele [projeto] seja socialmente justo, ambientalmente correto e viável, porque a gente tem que olhar o lado econômico também”. O objetivo é aumentar a renda e a qualidade de vida para os empreendedores das comunidades onde as instituições vão operar.

Os empréstimos poderão variar de R$ 200 a R$ 5 mil, dependendo do projeto apresentado. Os juros serão de 0,95% ao mês, com prazo de pagamento até 60 meses. Este é o primeiro projeto do Banco do Brasil de apoio a microempreendedores em favelas fluminenses. Hubner lembrou que o banco já possui experiência positiva nesse campo em Paraisópolis, na capital paulista.

Hubner disse que os interessados devem procurar as associações que as representam. Serão analisados, entre outros aspectos, quais são os fornecedores do microempreendedor e quais as possibilidades de venda do produto.

Serão atendidas, em um primeiro momento, as comunidades do Alemão, Dona Marta, Cidade de Deus e Manguinhos. A intenção é a de expandir o projeto para outras comunidades. Ele garantiu que não faltarão recursos para esses planos de negócios. “Se for necessário atender cinco mil empreendedores, nós atenderemos, sem problema algum”.

Na cidade do Rio de Janeiro, o banco já opera com microcrédito em planos semelhantes voltados para ambulantes, quiosqueiros e catadores de materiais recicláveis no projeto Economia da Praia, cujos empréstimos somam, até agora, R$ 2,4 milhões.

Fonte: http://www.dci.com.br/noticia.asp?id_editoria=1&id_noticia=365416

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O Desenvolvimento Regional Sustentável do Banco do Brasil

22/07/2010 – 12h40min

Banco do Brasil reduz taxa de juros do BB Microcrédito

O Banco do Brasil modificou as condições de contratação do BB Microcrédito DRS – Desenvolvimento Regional Sustentável. Para aumentar o apoio às atividades produtivas, a taxa de juros caiu de 1% ao mês para 0,95%, com um valor de empréstimo ampliado de R$ 3 mil para R$ 5 mil. Já o prazo de parcelamento aumentou de 48 meses para 60. Com a mudança, esta passa a ser a menor taxa do mercado financeiro para operações de microcrédito.

Serão destinados R$ 100 milhões para o público-alvo do microcrédito, que é formado por pessoas físicas que desempenham atividades produtivas e são beneficiárias da DRS, a Estratégia Negocial de Desenvolvimento Regional Sustentável.

O DRS é uma iniciativa do Banco do Brasil, criada em 2003 com o intuito de atuar junto ao público de menor renda. O projeto busca reduzir as diferenças regionais, promovendo a inclusão social por meio da geração de trabalho e renda, estimulada através do acesso ao crédito. Atualmente, ele apoia mais de cem atividades, tais como a ovinocaprinocultura, apicultura, bovinocultura de leite e fruticultura.

Atualmente existem 4.452 Planos de Negócios em implementação, abrangendo 3.840 municípios brasileiros. No Rio Grande do Sul, são 304 Planos de Negócios em implementação, envolvendo mais de 68 mil beneficiários de 328 municípios.

Fonte: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=34747&codp=104&codni=3

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Negócios para a Transformação Social – II

Orientações e Critérios

O Desafio Negócios para a Transformação Social: Criando o Campo dos Negócios Sociais é aberto e recebe inscrições de indivíduos e organizações (da sociedade civil, privadas ou públicas) de todos os países. Serão aceitas inscrições que:

* Estejam relacionadas ao tema do desafio Negócios para a Transformação Social: Criando o Campo dos Negócios Sociais.
* Tenham ultrapassado a fase de concepção e já apresentem impactos comprovados e sustentabilidade. Incentivamos a inscrição de novas ideias em qualquer estágio, porém ressaltamos que os jurados tem melhores condições de avaliar programas que já apresentem algum impacto.
* Sejam redigidas em inglês, espanhol, francês ou português.

Por favor, preencha todos os campos do formulário de inscrição e en

Critérios de Avaliação

Os vencedores do Desafio Negócios para a Transformação Social: Criando o Campo dos Negócios Sociais serão aqueles que melhor atingirem os seguintes critérios:

Inovação: Este é o critério principal. Sua inscrição deve descrever uma solução de transformação sistêmica que melhor demonstre como criar o campo dos negócios sociais. A inovação deve dar conta do diferencial de sua inovação em relação a outras iniciativas e seu potencial de replicação. As soluções podem incluir:

* distribuição ampliada – tais como inovações que atingem públicos historicamente marginalizados ou mal compreendidos
* design inclusivo – tais como inovações que reduzem custos e permitem fornecimento local
* disseminação e educação – que tenham potencial de mudar uma cultura no sentido de aceitar novas soluções
* adaptação criativa – aplicar uma solução em um novo contexto pode produzir resultados surpreendentes

As ideias e soluções geradas a partir deste desafio devem desencadear transformações profundas na forma como os negócios sociais adquirem viabilidade econômica e ampliam o alcance e impacto das iniciativas de negócios sociais.

Impacto Social: É importante que o projeto forneça uma solução de mudança sistêmica que contribua para a construção do campo dos negócios sociais. Algumas inovações já terão comprovado sucesso em nível local, enquanto outras apresentarão potencial de crescimento para engajar milhões de pessoas. Nós buscamos abrangência e profundidade, números e histórias que façam diferença significativa nas vidas de pessoas de baixa renda.

Sustentabilidade: Para que uma inovação seja realmente efetiva é necessário que ela tenha um plano de longo prazo que garanta apoio financeiro e impacto crescente na comunidade. Os participantes devem descrever não só como financiam seu trabalho atualmente, mas também como planejam financiar seu trabalho no futuro. As inscrições devem apresentar sua visão de longo prazo com focos regionais e globais e o modelo financeiro de sustentabilidade. Os participantes devem também demonstrar que tem parcerias fortes e redes de apoio que auxiliam no cumprimento da missão do projeto.

Prazos e Procedimentos do Desafio

As inscrições on-line serão recebidas até as 17h00 (horário de Brasília) do dia 9 de junho de 2010. Incentivamos os participantes a revisar suas inscrições a partir das questões e comentários recebidos através do processo colaborativo do Changemakers. A participação nos debates dá a oportunidade à comunidade e aos jurados de compreender melhor o projeto inscrito. Lembramos aos participantes que é importante incluir todas as revisões no formulário de inscrição. Revisões feitas somente no campo de comentário têm menor chance de serem vistas pelos jurados.

As quatro fases principais deste desafio são:

* Fase de Inscrições, 15 de março a 9 de junho de 2010: As inscrições serão recebidas até as 17h00 (horário de Brasília) do dia 9 de junho de 2010. Ao longo desta fase, todos podem participar dos debates on-line com os participantes inscritos. Inscrições antecipadas – recebidas até 28 de abril de 2010 – são elegíveis para prêmios adicionais.Cada um dos dois vencedores da premiação especial receberá uma câmera digital
* Fase de Comentários e Avaliação dos Jurados, 10 de junho a 27 de julho de 2010: Durante este período, as análises on-line e debates continuam ocorrendo. Simultaneamente, um painel de jurados formado por especialistas e um grupo de colaboradores da Ashoka selecionará os finalistas do Desafio.
* Fase de Votação, 28 de julho a 11 de agosto de 2010: A comunidade do Changemakers vota on-line para selecionar os três vencedores dentre os finalistas selecionados pelos jurados.
* Anúncio dos vencedores, 18 de agosto de 2010: Cada um dos três finalistas do Desafio Negócios para a Transformação Social: Criando o Campo dos Negócios Sociais que forem mais votados receberá um prêmio em dinheiro no valor de US$ 5.000.

A participação neste desafio proporciona a oportunidade de receber retorno sobre sua metodologia inovadora de outros participantes, da equipe do Changemakers, dos jurados e da comunidade do Changemakers. Ao dar visibilidade a seu trabalho e ao demonstrar impacto social, você também mostra a potenciais investidores como melhor maximizar os impactos estratégicos de seus investimentos.

Disclaimer-Cumprimento de Restrições Legais

A Ashoka cumpre integralmente todas as leis e regulamentações dos Estados Unidos, incluindo as regulamentações, controle de exportações e leis de prevenção à lavagem de dinheiro do Office of Foreign Assets Control. Todas as doações realizadas devem estar de acordo com essas leis. A Ashoka não fará nenhuma doação que possa configurar ato ilegal. Isso pode impedir a distribuição de prêmios em alguns países e/ou para certos indivíduos ou entidades. Todos os beneficiários devem atender às questões legais que lhes sejam pertinentes. Nenhum beneficiário poderá agir de forma que leve a Ashoka a violar a lei. Adicionalmente, a Ashoka não fará qualquer doação a empresas envolvidas na promoção do uso de tabaco e armas.

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Sistema Financeiro e Sustentabilidade Socioambiental

Hoje estou trazendo a Declaração de Collevecchio. Trata-se de um documento produzido em um evento organizado por cerca de 200 ONGs, em 2003, na pequena cidadezinha de Collevecchio acerca das instituições financeiras e a sustentabilidade socioambiental. O conceito é de que as instituições financeiras estabeleçam como critério de suas avaliações de negócios exigências de sustentabilidade socioambiental como requisitos para aprovação de operações de financiamentos e investimentos.

Para conhecer a Declaração, clique aqui

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